sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Mulher de Peito

Tirou um peito para escapar do cancer

Voltou com uma almofadinha no Sutiã, almofadinha porque ficava mais no sofá que no sutiã.

Fez fisioterapia lavando roupa, e terapia ocupacional indo ao baile.

Casou com quem não fazia conta de quantos peitos ela tinha.

Despediu-se da vida velhinha, depois de uma boa cerveja e uma bela noitada.

♥♥♥
Making-Off

Desbocada e irreverente, mulher de peito, um peito só, mas de peito.
Tia Ilma gostava de baile, cerveja e falar palavrão.

Auto Mecânica Fanini

Sr. Fanini era mecânico, dono de uma oficina bem cotada na Mooca.

Seu fiel escudeiro e aprendiz era o Elsão (um gigante que ele escapuliu de algum livro de ficção científica)

Os dois tomavam café que nem loucos, e trabalhavam como mais doidos ainda.

Religiosamente, baixava as portas as 18:00 - portas enormes, azuis e barulhentas.

O jantar era concorrido na casa do Sr. Fanini, para divertir os netos, o mecânico penteava os cabelos grisalhos para frente e colocava galhos de arruda atrás das orelhas.

Proclamava-se o Imperador de Roma - Quem
não comer tudo vai ganhar sorvete!

♥♥♥
Making - Off

Além da performance de Imperador, era praxe comer amendoim
e jogar a tigelinha vazia no tapete.
Costumava viajar de carro sempre pelo caminho mais longo e parava para tomar café.


Luisa do Saco

A anciã vivia de esmolas, mas era seletiva.

Vagava pelas ruas da cidazinha, todos seus pertences cabiam em um saco plástico, o que lhe valeu o apelido.

O jeito de bruxa velha e aquela saia de cigana esfarrapada - esfarrapada a saia ou a cigana?- metia medo na molecada (naquele tempo não se usava queimar os desfavorecidos).

Seu abrigo querido, a rodoviaria, antiga estação de trem dos tempos aureos do café.

Lá barganhava uma pinga no bar e gastava suas horas observando quem chegava ou ia embora.

Se pudesse viajar, para onde iria Luisa do Saco?

♥♥♥
Making-Off
Diz a lenda que em um ano novo, dona Luisa tomou banho e foi embora para São Tomé das Letras.