segunda-feira, 13 de maio de 2019

João e os arquivos da pasta marrom

O mistério de estimação da molecada da casa era a escrivaninha do Seu Joãozinho Eletricista.
Tínhamos ganas de revirar às escondidas as gavetas e devassar aquela papelada toda, haveriam fotos antigas? Segredos? Esquemas elétricos dignos de Nikola Tesla...mini engenhocas causadoras de choque? Iquenhequesabia?
Os meninos queriam achar foto de mulher pelada e mapa do tesouro, porém, nunquinha houve colhões.
Em idade avançada, foi o Seu Joãozinho alumiar outras paragens, e ficou a escrivaninha.
Chamou a atenção, na última gaveta, uma pasta de plástico, eu, historiadora não praticante, já mandei logo tirarem o zóio, fiz refúgio no outro sofá e bisbilhotei os arquivos da pasta marrom, os avós mortinhos que me perdoem, vi tudo.
Entre outros achados arqueológicos, compunham o acervo:
Recortes de jornal, em especial um com a foto do Seu Joãozinho, do Seu Ercílio e mais uns camaradas bigodudos; bilhetes que marcavam reuniões secretas, talvez os conspiradores mais idealistas do Cambuci; correspondências bem humoradas do amigo, que presumo eu, combateu na Revolução Constitucionalista de 32, e confessava uma total ausência de talentos bélicos; cartas da Itália para o "Bisô" com o timbre da Barbiere di Rotonda; uma solicitação de transferência da escola particular para a pública, onde Seu Joãozinho findou seus estudos elétricos, a fim de exercer nobre ofício de alumiar, chorei e pronto.
Tinha ainda uns dobradinhos de papel amarelo-folha-dura, que compunham uma trilogia de cartas:
Na primeira, com letra de formiga desencaminhada, e gramática sofrida, Belinha da Fazenda Esmeralda declarava saudades e amor.
A segunda em apaixonada caligrafia magistral, Joãozinho Eletricista da Capital prontamente respondia saudades apocalípticas e amor por toda vida.
Na terceira, a impetuosa caipira, mandou a resposta da resposta que não recebeu e esculhambou.
Talvez explica melhor expor a cronologia da coisa toda:
Carta da Belinha, 11-03-1946
" .... tenho saudade ... a Helena até fica brava comigo porque só falo de você ...."
Em seguida, o suposto rascunho da carta do Joãozinho - sem data, à lápis, era tanto dengo que até dava choque:
".... Relembro os doces momentos em que estamos juntos... " "... Belinha volte o quanto antes... "
Carta da Belinha 16-03-1946 (aquela esculhambando)
"Estou cançada de esperar a resposta da carta que mandei dia 11 por isso quero saber se e falta de tempo ou mal vontade e assim que voce gosta de mim?...... " ... " vou no correio todos os dias só a espera de uma carta e volto muito triste ando 2 quilometros e nada...
Especulo que as cartas seguiam da Capital via algum cata-jeca até aportar em São José do Rio Pardo, talvez na Estação Paula Lima, onde minha impaciente futura avó superestimou a agilidade dos Correios.
Aposto que meu avô respondeu, mas a carta extraviou, e por galhofa ele guardou o rascunho entre as duas outras cartas.
Naquela tarde de profanação, foram lembrados também os quitutes sem igual e o peculiar pavio curto da D. Belinha.


terça-feira, 16 de abril de 2019

AS PRISIONEIRAS DO GENERAL

Agora os arquivos eram uma bagunça de fazer dó.
As memórias não estavam organizadas por ordem alfabética, assunto, ou qualquer marcador.
Na arrumação, o General deixou à mão aquilo que lhe interessa  e colocou lá no fundão das gavetas tudo que não gostava de lembrar.
Por descuido de algum neurônio desavisado, uma lembrança importante ia parar no sótão, ou no porão e aí era uma trabalheira doida para achar a marvada; em contrapartida, outras vinham à tona sem ninguém chamar,  os seios de uma sirigaita francesa, um regalo nos tempos do “Fuhrer”.
Durante o conflito, o General carimbou muitos passaportes para o além.
Na tentativa de banir da memória aqueles que bateram as botas sob sua encomenda e apartar um eterno lamentar de prisioneiros, o General montou em sua cabeça um campo de concentração, para onde enviava as lembranças que mais lhe desagradavam.
Por mais que erguesse cercas de arame farpado, e montasse guarda, sempre alguma maldita prisioneira escapava.
A fugitiva lhe percorria a mente feito um estilhaço, transformava-se em uma torrente que não raramente jogava-o atônito na cadeira de balanço, até que a lembrança rebelde fosse novamente confinada.
Desenvolveu o General uma lerdeza seletiva para localizar suas memórias e evitava fuçar nos arquivos bélicos.
A moça da TV chegou de surpresa e fustigou o General com perguntas sobre a guerra, os campos, a SS...parecia um interrogatório na tenda do inimigo.
Foi uma negação. O General era capaz de desfilar um rosário de nomes e patentes na sua língua mãe, mas quando se tratava de suas a (des)venturas na guerra, sob o pretexto da idade, dizia com um sotaque indiscutível que só se lembrava de uma fumaça densa que o sufocava aos poucos.
Enxergava-se sob a névoa,  de uniforme e botas poeirentas, lembrava  do cheiro da morte nas trincheiras, avistava a terra de ninguém semeada de soldados caídos, e num piscar de olhos estava o General à beira de uma grande vala, destino final de incontáveis corpos esqueléticos. 
Depois do fiasco, a jornalista mudou a pauta para não perder a viagem, e lá se foi, furiosa, com uma história bucólica qualquer para editar.
O velho tornou a soltar o pastor alemão no quintal, e sentou-se na varanda.
Com voz de comando enfileirava as memórias fugitivas para novamente enviá-las ao campo de concentração.
O armistício tardou a chegar, e as memórias prisioneiras foram sufocadas em uma câmara de gás.
O General preservou do seu holocausto apenas as lembranças das raparigas de Paris e algumas ruas de Berlim.
A governanta falou que ele malucou de vez.

* Versão 2019,  Causo publicado na Revista do Arquivo nº08
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/revista_do_arquivo/08/)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

ÁGUA SAGRADA


Pumordi de um banho de rio, segue em estradinha de sítio de encontro à serra, só chega quando o caminho  acabar, logo ali depois da ponte, onde a água sagrada que cura e que sara, desliza ligeira em leito de pedra.

Flutuam as palmas das mãos, antes da avalanche de pedrinhas redondas sob os pés precipitarem  o mergulho, engana que é verde o poço  cristalino.


Forte é o fruto da montanha, barulho de água doce não sabe parar, faz eco no vale, verte cheiro de molhado que seca em pedra quente de sol.


Imaculada água da Mantiqueira, no  desfrute de regar tudo em seu caminho, banho de gelo aluminado em arrepio.
Por gosto de deixar levar, vão os ombros ao fluir  transparente da água bonita que acode ao clamor, e abre picada na mata, virada em generosa cachoeira,  corredeira, e remanso.





Quando o frio de viver fizer o beiço roxo, vai à beira, esparrama em grama fresca que o sol tudo há de aquecer.

*Águas de Marambaia

quinta-feira, 21 de março de 2019

DORME O JACARÉ

Balança o voal da janela um ventinho cintilante.
Diz que é o sopro da paz de um Deus arejando a face de quem dorme.
Tem uma luz sagrada quinenqui um por do sol pra sempre a lampejar.
A luz fresca de alecrim que banha e revigora quem dorme.
Se achega ao pé da cama o qual tiver de se achegar e quem dorme já sabe onde e porque está.
Sem dor, nem drama, quem dorme vai acordar a fazer piada na hora que se aprontar.
Em cama branca, resplandecente,  do outro lado do acostamento,  dorme o Jacaré.

 Amigo querido e motociclista inveterado

*20/03/1959
+20/03/2019

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sobre perguntas e respostas

Essa moto não é muito pesada para você ?
Não sei, é ela quem me leva e não ao contrário.
Já caiu alguma vez?
Claro, essa porra não para em pé sozinha.
E quando chove?
Molha, uai.
Você já fez viagem longa?
Não, todo esse motorzão é para pagar de gatinha na vila.
Já viajou sozinha?
Já, mas prefiro ir com a minha traquitana.
É barulhenta né?
Não consigo ouvir nada !!!!
Essa moto magrinha é Harley mesmo?
Era uma  Harley gorda,  mas dei Herbalife para ela.
Põe gasolina aditivada?
Não fio, põe comum, senão ela vomita.
Você não tem medo?
Me cago toda.
Seu marido não acha ruim?
Só quando eu fico lerdiando na pista. 
Porque não vai na garupa dele?
Pumodiquê  eu sei engatar primeira e sair.
Dói as costas? Doi, e a bunda também, por isso a cara de mau.
E se a moto quebrar e você estiver sozinha?
Vejo os cabos da bateria,  as velas, o miolo, se a boia encantou, se o carbura está magoado, se tem óleo, se mijou gasolina, dou tempo para ela parar com a firula, ligo para o seguro, tomo um café, chamo o Claudio e o Edy, tô cheia de opções.
Você que estava naquela moto enorme?
Não, aquilo era um holograma.
Todas suas amigas gostam de moto?
Só as poderosas.
Não bate muito vento no peito?
Em qual peito cara-pálida?  
O que seu chefe acha de você andar de moto?
Não é da minha conta.
Faz quanto tempo que você tem moto?
45 minutos. 
O que seu pai falou quando você quis uma moto?
Não e pronto.
O capacete não bagunça o o cabelo?
Não, quem bagunça sou eu quando tiro aquela merda.
Estraga a maquiagem?
Sim e fode todo tipo de artefatos femininos causadores de engano.
Mexem  muito com você na rua?
Não, só os sem-noção.

Making-Off:

 Ia excluir, mas fiquei com apego.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Voodu é pra Jacu


A fixação de findar 2017 com um banho de cachoeira rendeu uma uma ida à Serra da Mantiqueira.
Em  Monteiro Lobato, pausa para um cafezinho. 
O jeito mais bonito e gelado de tirar a poeira da estrada foi se tacar sem moto na cachoeira Pedro Davi.
Cachoeira Pedro Davi
O moço da padaria botequenta no centrinho de São Francisco Xavier,  falou mais que o homi-da-cobra, depois do café, cismei com açaí e uma farofa da área que leva amendoim e farinha de milho, e o diabo demorou a vida toda,  rependi.
Partimos sentido pousada, só 6 km do centrinho, da padaria e do maledeto açaí.  Um toró se avizinhava.
Pousada Canto dos Passáros - SFX
- Fica de zóio na 
placa km 14,  cerca coisadinha de bambu ... logo ali... tá, eu ouço vozes. 
Uma puta tempestade fez da simpática estradinha um pesadelo, visibilidade prejudicada, baixa moto-estima, trovões de efeito moral, e uma ventarola das trevas, garrei na moto quinemqui gato.
Ô água gelada, ô chuva sem jeito, faltou o acostamento para  um xilique total-ai-que- delícia, só que não. 
Depois da serrinha (que emergiu de forma insondável no trajeto)  vi a plaquinha km 26. 
Putaqueteopariu, passou varado! Volta !!! Volta!!! 
Taca-lhe outra surra da chuva no alto da  serra. 
Santa Bárbara da Marcha Baixa,  vemninóis km 14, vemninóis km 14,  ounnnn, vencidos os galhos caídos na pista...  açaí lazarento, chegamos.
Sob a égide do toque de recolher do verão na Mantiqueira ( 16:00), tentamos a sorte:
A pé trilhamos até os mirantes no Pouso do Rochedo,  é bonito, porém mais me apetecem  as oito quedas d'água da propriedade,  escolhemos  a Cachoeira de Santa Bárbara para desvuduzar, foi só acomodar a buzanfa no banquinho de pedra e esquecer da vida, porque Vodu é para Jacu.
Já a tentativa de jantar na cidade  rendeu o mico de improvisar  abrigo  no pontinho de ônibus à beira pista  até a chuva acalmar.
No último dia foi banho de rio na pousada.
Após o almoço no centrinho de São Francisco Xavier,  puxamos os afogadores para esquentar as carburadas e #partir.
Lá vem um tiozão, camisa polo do jacarezinho, bermuda, e sapatênis ornando,  turistão,  ai meu saco. 
- Podem desligar essas motocicletassss... (mais mandando que perguntando), vocês estão nosss atrapalhando a ouvir bossa nova, bradou o almofadinha de taça em punho.
- Desculpe, mas se vossa magnificência não tivesse atravessado a rua, não teríamos educadamente tirado os capacetes para lhe ouvir, e  já estaríamos na saída da cidade.
 Amuntamos nas motocas e foda-se Tom Jobim da Mantiqueira, 
enfia no fiofó o violão e o banquinho, que eu vou é andar de moto. 

Making-off 

Na tecla SAP tupi diz que Mantiqueira significa gota d'água, só faltou avisar que cada gota é um balde. 
O Santo Francisco Xavier, foi gente de carne e osso, português, milagreiro, canonizado, e poliglota, esteve em missão no exótico Oriente, foi amigo de Inácio de Loyola e cofundador da Ordem dos Jesuítas. Puta cuirrículum. 
Ao que tudo indica veio a emprestar seu nome ao charmoso lugar na Mantiqueira,  diz que tinha o dom de prever o futuro e acalmar tempestades. 
Santa Ignorância Batman... 


https://www.cantodospassarossfx.com/ 

http://pousodorochedo.com.br/cachoeira/

terça-feira, 10 de julho de 2018

Crônicas do MS- Parte II - Achegando



Era só sair da pista dar uma lambida na poeira corada de Dourados que já chegava na sitioca.
O gramado foi virado em uma plantação de traquitanas.... era só tec-tec de motor quente.
Uma turma chegou e promoveu uma visita inusitada ao galinheiro,  diz que fumaceou tudo da cerca pra lá,  teve galo caipira cantando em latim, galinha recatada e do lar que desinibiu total, franguinho plantando bananeira .... e galingalizé sortando a franga, sei de nada não. 
Mais rodamoinho de poeira e o povo foi se achegando,tinha churrasco e cervejada, podia também poluir a piscina, esticar a carcaça e contaminar a grama verdinha.... ou... visitar o galinheiro.... 
O Fidel e a turma de São Gonçalo montaram acampamento, já outra galera passou para tirar a poeira de estrada da goela e seguiu viagem.
Salvou a madrugada o amigo Sertanejo que na gana de justificar os apelidamento, fez umas cantorias de moda de viola raiz e deu um chega-pra-lá no som paulera que rolava nas caixinhas possuídas. 



O galo se aprumou e logo cedinho despertou a marvadeza toda, era dia de seguir viagem. 
Ficou a  Sitioca no retrovisor e o trenzão seguiu fincado para Ponta-Porã,  os marmanjos compraram uns trecos no Paraguai e teve cabra firme no xaveco para com as lindas paraguaias, dignas trabalhadoras do Shopping China - Sem sucesso, chora marvadeza. 
Passamos a noite na fronteira e teve sorvete. 
No caminho para Bonito, segue o trem, o batidão  avisa que estamos na área, ainda que vulcanizados. A grata surpresa veio na Serrinha de Maracaju, em forma de beijo de vento fresco,  o trecho  bordeado de mata nativa generosa,  não economizou na verdeção,   verde encantado, verde lumiado, verde dourado, verde fluido,  verde verdado, verde coiso,  verde bioluminescente,  verde  escuridão,  verde gafanhoto, verde tatuagem desbotada, verde bem verdinho, verde estalado, verde- burro-quando-foge, verde carteado,  verde varejeira ...   cinquenta tons de verde que ornam com os cinquenta tons cristalinos das águas que serpenteiam por lá.  
Sempre lembrar:
 * Do trem imponente que chegou na praça da cidade e do TREM DE DOIS, mais marvado, renegado,  difamado,   filmado, fotografado, e dronado do MS. (vide postagem de 02/10/2017 - Trem de dois)
 * Da Siriaita bonitense vestida de censura ( uma tarja nos peitos e outra no quadril) que foi no meu cangaceiro com o xaveco manjado  Ai que moto linda, meu coração até acelerou   (o meu  também, vaca!) posso tirar uma foto na sua moto??? e já foi logo sentando e depois eu já tratei de desinfetar o banco com "putox".  Haja paz interior... xô piranha....vaza voodu...sai pra lá rapariga. Né Cláudio!
Bom lembrar também:
*Do jantar tropeiro oferecido pelo Seu Peralta
* Do frio filho da puta que fez no dia da festa no Balneário Municipal, e a solidariedade da galera que entrou e poluiu o rio Bonito mesmo assim. 
*Da sofrência que foi voltar no calorão.  
* Do pernoite no "Hotel Cela 16" o mais furreco do oeste paulista, sem ar condicionado e com chiclete ploc grudado na lateral da cama de ferrinho, mas o chuveiro compensava. 
*De como é bom chegar em casa.  

Making off : VX 2017- Puta Viajão. 



quinta-feira, 5 de julho de 2018

VINGANÇA

David Mann 
De manhã, no trem, o dia estava de chuva.
Perdi o banco que vagou para um marmanjo a cara da arrogância, daqueles garotos infláveis bombadinhos dos infernos,  o orgulho da mamãe, camisa Duda-coisa-lina justinha cheia de gueri-gueri , cabelo topetinho no melhor estilo manivela de chupar pau, mochila importada da 25 de Março, a vibe da empáfia.
Atropelou-me o cabra e colocou o rabicó no assento que eu cobiçava. 
Então tá.
Malandramente coloquei minha humilde sombrinha encharcada para pingar no pé do paquitão, armei a maior cara de gato do Shek e desembarquei com o coração repleto de plenitude. 


Inspira e solta o ar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

DOMINGO É DIA DE NEUSA


Ow,  põe uma melancia no pescoço... carece não chefe, eu tenho uma sirene... é justo por isso mesmo....  cumprimentei o Cumpadi e chamei, ramu lá bicar um cafézes,   já começou a zuação, servi café pro povo que chegou cedo para fazer a festa funcionar... teve cabra que ralhou , caraio Lu sem açúcar...
E me escapuliu um sonoro:  É que eu faço café para HOMENS.... uhhhhhh e o Sorriso magoou, tadinho... desculpa, sei que não pode falar assim com o amigo.   
O Fernandinho além dos famosos brigadeiros da Thaís e da própria,  trouxe também a CG bolinha Marelinha, pense uma maquininha exibida...  que me fez lembrar  de outra moto.
Quidê o André que jurou de pé junto que a gente ia andar na motinho?
E o pessoal foi se acheganho,  Springers bonitas, motos garfudas,   café racer no stile, a sedutora Azulzinha do Trash HD FlatHead 1947(suspiros), traquitanas customizadas, cebezona tinindo e outros trecos classudos.

Várias meninas pilotas também baixaram lá, a Denise tomou um gorpe de coragem e chegou no evento pilotando sua moto, só faltou a camiseta de advertência com estampa piscante:  Cuidado Mina Biker Amaciando. (a minha usei até gastar).    
Um tantinho depois o amigo André na  cumprissão da promessa materializou na festa com a NSU 1939.. vai bocuda, para continuar o Voodu é pra Jacu invocamos o Bretas o Punk e ganhar na mega sena... pelo menos os caras apareceram.

Puts, deu problema na agulha e na coisalada da enfioleta, mas consegui arrumar...
Larguei-di-mão dos brigadeiros,  e passei a orbitar a motinho no melhor estilo mosca de padaria.
Para evitar atropelamentos, micos e outros bichos... minha vez chegou no fim da tarde...
Moto chaveirinho é facinha de andar teu fiofó .... toda velharia faz charme, birra e tem mãnha. Evitar, evitar, evitaaar o mico não deu não... .
O André baixou a portaria de instruções e explicou tudo bem explicadinho... o jeitão do acelerador, o câmbio longo de quatro marchas a óbvia ausência do acessório freio e outras vechiaias.



Amuntei na motinho e agora vai.... puf puf puf.... ela engazopou fez cara de a culpa é sua e morreu .... 
Como é público e notório não sou craque no quick-start...Pergunta lá para os Lobos o que eu fiz na festa deles.
Ligou e vai de vez,  a traquitaninha é forte, e bem divertida de andar, fiz a curva no fim da rua e vorti, fui de novo... tentei acionar o freio dianteiro e uma travinha do manete foi cirurgicamente ejetada.... mais mico.
O amigo se fez de rogado... aconteceu comigo também.... pedi mil desculpas pela patinha de elefante, encharcou um pouco a vela... deixa ela descansar.
Já estava formada a fila de malacabados, zóio brilhando,   para dar a volta olímpica na motinho, foi só sucesso,  na intensão de poupar o freio da maquininha o pessoal acionou o breque pé2  e nenhum cavalete foi derrubado, mas o Chicó roletou a valeta no fim da rua... e justificou: Quem nunca varou um cruzamento sem capacoco numa moto sem freio né?
André, tem que por um nome nela.
Ihhhh, a Lu já tá com apego...
Tem cara de Dorinha....
Não, tem que ser um nome alemão...
Frida.
Frida muito batido, não orna nela.
Nome russo é mais divertido
Para, ela  já é Neusa - NSU - Neusa
Deixa Neusa Skavurszka
E o André terminou de amarrar a NSU na fordinha azul e se foi antes que controverso plebiscito sobre o nome tivesse um fim.



Making-Off:
10º Evento de Springers e Motos Clássicas de Santo André, foi o último de ano e foi 10! 

Skavurzka em  Russo  seria grafado marromenos assim: скавурзка,  mas há controvérsias, diz que palavra é invenção dos publicitários da NET... diz também que é sobrenome de um dos donos da agência que bolou a propaganda, há ainda experts que explicam a mensagem codificada à moda guerra fria:  o prefixo 'ska', que significa "céu", mais o termo 'vurz' que significa "ir em direção", mais o sufixo de negação 'ka'. Assim, "Skavurzka" seria algo como "você não vai para o céu". Aí sim, orna com a Neusa e a turma que andou com ela.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Crônicas do MS - Parte I - O início dos começamentos.

Old Road 
Paramos para uma prévia no bar do Cyro, o Old Road Saloon puta lugar,  com as motocas na sombra da jabuticabeira partimos para  um café no galpão Estação, recheado de móveis antigos e outras velharias sedutoras,  ainda visitamos uma plantação de fusquinhas na oficina de um brother, tudo na Rod. Waldomiro Correa de Camargo km 57,5 em Itu.


Para a posteridade - Old Road 
O amigo Serginho inocentemente ofereceu a casa dele em Boituva como ponto de partida para o MS. Oferta aceita.
A mancha de óleo compareceu em peso e não parava de chegar gente... para poluir a piscina, o quintal, e comer todo o churrasco da face da Terra, a Erica, ama e senhora do leal amigo acomodou a galera em tudo quanto foi canto da casa, a Carla, sua fiel  escudeira também se desdobrou para dar conta da bagunçaiada, mais amigos foram chegando.


Invasão ao Oasis do Serginho 
O Miguel, filho dos anfitriões, que já pilota sua própria motinho queria sair no trem, mas a mamãe não deixa , o papai não quer e a legislação não permite, tadinho.
A amiga Poli que fez uma batatinha-no-moio impossível de parar de comer, dei a dica:
O primeiro passo para parar de comer essa perdição é jogar o palito fora... mas não logrei êxito.
Partiu na manhã seguinte para Bonito um trenzão pancudo, só máquinas do mau na pista, o Finco estreou a Police e o Carranca a Delux Varejeira, o Marcelão foi a bordo da Elvis, meu Claudio foi com a Branca eu com a Bad, o Edy de Dyna, o  Homer, o Serginho, o Cyro e o Will  com suas naves. O Zero2 foi de carro fechando o trem.
Sob um calor vulcânico, com destino a Dourados - MS, sem cair nem morrer, só novecentinhos e pronto.
A minha bike beberrona, programou paradas de 200 km em 200 km, sem combinar com os russos.
Máquinas do mau 
Em  Presidente Prudente a Old deu azia.... porém animada por um espírito de solidariedade, ela ainda rodou até o posto mais próximo... uns testes apavorantes, com a Bad de cobaia (assim meu coração num guenta, fui fazer um xixi amigo e não voltei)  denunciou que bateria jaz no km 500 e alguma coisa da Raposo. RIP Bateria.
Ponte do rio Parana 
O esperamento no posto abrigados do sol do meio dia até que foi providencial, os malacabados  se jogaram  nos bancos e degustaram uma sombrinha.
O Raul de 2 aninhos que viajou de carro com mamys e paps ( Paulinha e Zero2 e o "tio" Sorriso),  curtiu o posto mais que os barbados,  o lugar  mais parecia um Jurassic Park from hell  cheio de bichos gigantes de gosto duvidoso, o pequeno se esbaldou.
Como o povo é tinhoso... os meninos caçaram uma bateria e trocaram, deu certo.
Fronteira do Estado
Vai de uma vez... a partir daí foi rodar, abastecer, rodar, abastecer e tomar o máximo de água que coubesse na carcaça, o obsoleto truque de tacar água na bandana do pescoço para refrigerar o sistema ainda vale, e o cafezinho de beira de pista também ajudou.
Na entrada da ponte do Rio Parana (ô imensidão de água coisa mais linda) paramos para  umas fotAs na placa da divisa ... e depois the last gasolina em território paulista

Ao entardecer, galgamos as estradas Sul-mato-grossenses, maioria pista simples,  eu ainda ia serelepe, as destemidas garupas Karin (da dupla Karin e Finco) e Zuleica (da dupla Zu e Homer) estavam firmonas.... mas que tinha uns marmanjos cansadões isso tinha, já o Raul, o rapazinho mais biker do centro-oeste, ia feliz na sua cadeirinha... e o tio Sorriso a roncar e babar
Zezé e Parana - Nobel em hospitalidade 
Noite a dentro, lá a luz do mundo apaga,  tive um dejavu, vi a placa de Dourados apontar para um lado e meu Capitão puxar para outro... assim chegamos à Sitioca da Zezé e do Paraná (meus cunhados - prêmio Nobel de hospitalidade).
Sitioca - Dourados MS - Área de Lazer do Josias 
Não quero falar não, mas tinha uns marvado que vulcanizaram na pista e acabaram de derreter na Sitioca, pronto falei.
O Carranca colocou um som infernizante (ai meu Deus!), o pessoal se esparramou pela sitioca e confraternizou... até umas horas.
A parte de tentar dormir foi a mais digamos desafiadora, dividimos o quarto com o Cyro, o cabra morre e ressuscita de manhã, jóinha e o amigo Edy que ronca na acelerada e no retrocesso... quando o Edy deu um tempo nos roncamentos, o galo (há um galinheiro no fundo da sitioca) pegou a deixa, e cantou enlouquecidamente já de combinação com os parça da vinzinhança... o Marcelão e o meu Cláudio alegaram que nada ouviram... tá.
De manhã me vinguei vorazmente dos galináceos, comendo ovos caipiras oriundos do galinheiro preparados pelo Cyro, a Zezé trouxe café, pãozinho e chipas,  deu o maior IBOPE.
be continued...
Sobrou para o Edy
Making Off- A Bad deu azia nos 50 primeiros km e ganhou uma colinha no retrovisor... teve mais umas bikes que fizeram uns retoques de última hora em Boituva.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Janaina e Zefaberry

Já faz mais de ano.
Sem GPS, sem capacete,  mas com muita vontade de torrar a limpinha e cheirosa gasolina gringa, amuntamos nas de quem pagar Janaina e Zefaberry.
O plano era facinho, sair de Rapid City (retirada das motos)  e voltar ao hotel em Spearfish,  rododando o máximo nas 24 horas em que as Heritages estivessem sob nosso poder,  percorrendo as divinas estradas que serpenteiam a Black Hills National Forest, (SD), centro-oeste americano, palco de batalhas, massacres, aventuras e bang-bang de verdade,  terra sagrada para os Oglala Sioux,  e para os motociclistas (yes, estou falando de Sturgis e adjacências).
Sturgis que dispensa apresentações foi parada obrigatória para a clássica foto na placa da cidade. 

Dead Wood, foi o segundo  pit-stop, diz que lá o honrado e imatável  “Wild Bill” Hickok,  perdeu a vida, o Sallon Nuttal & Amp Mann No. 10, onde se deu a crocodilagem continua em funcionamento.
Depois aceleramos até Hill City, onde também tem um centrinho histórico bonito,   maria-fumaça que funciona, museus legais, e com sorte alguma banda bem red neck em ação nos botecos, digo, sallons. 
Seguimos até Custer, nome que se deve ao mais famoso matador de índios do Oeste, o General Custer, líder da 7º Cavalaria, o  cabra  tomou um pau homérico do Chefe Touro Sentado e seus Bravos na batalha de Little Big Horn, Montana,  ocasião em que o militar bateu as botas e já foi tarde, amém!  ... mas não vem ao caso.
A partir de Custer o que era uma despretensiosa "volta no quarteirão"  transmutou-se em um role pelas  pradarias do
Wyoming,  tudo culpa de uma placa que estampava um cruel:
NO PAVIMENT - sem tempo para tradução, entramos na parte off road de uma serra linda, era uma reforma que transformou a pista em um terreno hostil. 
Só volto por ali..., só se o Crazy Horse puxar o trem,  na falta da honorável assombração, mantive  recusa em pegar o retorno e seguimos em frente, muito em frente,(vide o mapa), a estrada era a  Hwy 16, iquenhequesabia...
Eu, feliz da vida, feito uma Sioux desgovernada vagando pelas pradarias,   de vez em quando aparecia uma caixa d'agua com nome de  cidade  quinemquidi filme: Newcastle, Osage, Upton, Moorcroft, em uma dessas a menina do posto explicou certinho como chegar a Sundance, lugarzinho familiar, onde uns dias antes visitamos uma loja HD e almoçamos em um restaurante daqueles que ostentam chifrões na parede do balcão de parzinho com a  Winchester, um texano bigodudo me disse algo que graças a Deus não entendi (?!?!?) e ainda conhecemos uma família de Irlandeses, num sei, só sei que foi assim.  
De Sundance não tem segredo, é só pegar a I-90  para o lado certo que chega no hotel.
A teimosia resultou em um role de 296 milhas (cabalístico né!?) em kms foram cerca de 480... de bom tamanho para uma tarde de improviso.  
Na manhã seguinte, com pouco tempo  para rodar, tentamos a sorte na charmosa Lead,  onde jaz minas das quais se conta que saiu muito, muito ouro, cavucaram tanto que tiveram que mudar umas casas da cidade de lugar, pumordique  ia despencar tudo, lá tem também uma moça que dirige um caminhãozinho e vai a regar floreiras suspensas e  jardins que colorem a cidade,  quero o emprego dela! 
Paramos em um restaurante bonitinho onde tomamos o café da manhã.
No momento de entregar as motos foi a maior dor no coração, tive que desapegar,  expliquei para o moço que elas tem nome, Janaina e Zefaberry.... ele repetiu com sotaque os nomes das motos, riu e me chamou de doida, (essa parte eu entendi)  e as deixamos lá .... que dó. 
Na próxima que os bons ventos nos levem, de moto, ao Memorial Crazy Horse, Monte Rushmore, Devil Tower e Bad Lands.... que de carro não teve o mesmo gostinho.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

TREM DE DOIS

De acordo com os combinamentos, encontramos uma vastidão de motocicletas no posto de beira pista. 
http://www.yoshihitotomobe.com
Para então formar um trem que ajuntejou com outro, que ajuntejou com outro bocadin, que ajuntejou com mais uns gatos pingados  e  fez um formado de gente, motores, escapes, guidões e tanques num sem fim de formas e cores e barulhos. 
Era facinho facinho, só contar as rodas, somar tudo e dividir por dois, ruim de conta que só, larguei-di-mão.  
Conforme a ordenança, eu e o amigo da moto Vermelhuda, lá pro fundão, seguidos apenas pelos caras do Recolhe.
A  tocada ia boa,  até que  um sustinho básico de freada em efeito cascata, com direito a várias cantadas de pneu, e algumas saídas estratégicas pelo lado que deu, aplacaram a minha sede de asfasto ....  
De Evo, sem ABS, e sem muita vontade de colar na HD Police tinindo à frente, na precaução de não  arrombar minha linda e molenta frente Springer, resolvi só curtir o momento deixando um espacito para emergência ou cagadas.
Foi quando se deu a cena, pelo retrovisor vi o aceno se cabeça entre os dois lords do recolhe, que nos ultrapassaram loucamente,  sem pudor ou aviso .... choquei total, arregalei um zoião e mirei o meu parça da Vermelhuda, que por sua vez quase estuprou o acostamento descoisado por causa dos gentlemans... 

Ganhou assim o trenzão múltiplas interpretações


Visão técnica da coisa: Devido à alguma comigerência peripotética, os recolhes oficiais arregram da nobre função, e  herdaram a responsa de fechar o trem mais malvado do centro-oeste,  uma encardida amuntada numa bike que uns cabra nem sabem o que é, e um Suport honrado,  meu parça na Vermelhuda... issaí... 


Visão Iquenhéquesabe da coisa:  O parceiro da moto vermelhuda, teve uma estreia inesquecível, única e inédita, foi barrado no baile, logo de cara no seu primeiro trenzaço... mas nem pestanejou em cumprir sua missão - acompanhar o abacaxizinho que vos escreve - quanto a mim igualmente barrada no baile, achava que já tinha visto de tudo, porém, entendi rapidinho que os tempos mudaram, mas o que eu aprendi na estrada não muda.


Visão Encardida da coisa: Paputaquerariu os Recolhes, pois fizemos um TREM DE DOIS, mais marvado, renegado, excluído, difamado,  pinchado, filmado, fotografado, dronado, aclamado pelo público e reconhecido pela crítica dos últimos tempos ... chupa que é de uva, senta que é de menta e rebola que é de cola,  porque nóis é foda parça!


Making-off  


Nem imagino o que os lords do Recolhe estavam fazendo nos últimos 15 anos, eu estava pilotando HD carburada, pronto falei.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Doida

Transporte público é uma mazela  engastalhante e tediosa.
A tática de sobrevivência básica é entrar no latão e já ir cavucando para chegar no fim do vagão, menos lotado, evita assim alguma subaqueira permanente,  cheiro de dormido ou coisa pior.
O Eterno David 
Licença, licença, licença e logro êxito no objetivo.
Eis que hoje tinha uma psicopata no trem, sentada ocupando espaço de 3 cabras lá no fundão.
Pagou 3 passagens? Não. Ignora a proibição legal de sentar no assoalho do trem? Sei lá.
Parei de pé um pouco à frente da dona do vagão, ela abaixou os óculos escuros em uma franca estratégia de intimidação na luta diária por território, encarei de volta.
lembrei daqueles filmes estúpidos de sessão da tarde "Sr, tenho contato visual com o inimigo, câmbio e desligo..." me contive, mas alguma cara de deboche escapuliu.
Seria alguém que trabalhou comigo em 1935? Nem imagino.
Ataque e defesa,  armas biológicas de precisão cirurgica: espirros, tosses catarrentas, ranho de nariz, são de grande valia nessa hora,  ou o mais ultrajante dos armamentos: os peidos represados da manhã ... pena, todo meu arsenal estava zerado.
Indefesa peguei meu telefone... e não sei o que a folgadona ficou fazendo.
Seria a causa da implicância o meu visual moderno-quarentona-trabalho-de-coturnos-e-que-se-foda? o que faria a jovem Bolsanara?  Teria ela algum estratagema?  Ejacular em mim seria uma tarefa anatomicamente desafiadora...no mais diz que não é crime ... descartado, relaxei.
Cobicei  um acento que vagou, ela  rápida e lépida sentou-se desafiadora...emiti uma vibração de enfia o banco no seu rabo sujo de chão de trem, vaca e  ohummmmm, paz e plenitude invadiram meu ser.
Outro banco vagou... em frente a cu sujo, sentei né,  a inimiga movendo seus óculos escuros, fez novo contato visual... será que a moça não gosta do que eu gosto me paquerou? Duvido.
Retomei o celular e pelo whattsap avisei aos amigos e parentes que tinha uma psicopata no trem e não sei o que ela ficou fazendo, porque aproveitei e curti um solzinho abusado que dourava o vagão e me apetecia.
Na estação final, enrolei, e a tal levantou-se primeiro, derrubou celular, e sei lá quais outros cacarecos ... por precaução, tomei distância e não virei as costas para a minha mais recente adversária.







segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Blackline - Teu butão

Daí apareceu uma voz tanto pretensamente sedutora, quanto dotada de um verniz canastrão, com toda pompa e toda honra anunciou ao coração de uma moçoila desavisada.
Olha o que os caras estão fazendo agora com as Blackline,  e teve a idéia de apontar para a Bad Boy...a moça fez cara de admiração. 
Levantei as duas orelhas feito um pastor alemão... e concentrei minha mente,  o eloquente não se intimidou: 

Estão pegando a frente e colocando as molas para cima, referindo-se a frentona springer HD original... garrei no banquinho de cimento quenemque gato. Deve ser pegadinha...  
A descuidada fez cara de ohhh que demais, você é mesmo o máximo....enquanto saltaram coraçõezinhos de seus olhos, já eu ensaiei uma convulsão...

Ferveu a gasolina nas veias, tive ganas de explicar para o sabichão que Blackline era a sua bunda depilada,  aquela é uma autêntica bike CARBURADA dos anos 90:  Amigo, aqui ó: torneirinha e afogador, essa  frente original de fábrica chama S-PRIN-GER, pomordi que tem M-O-L-A-S. Tá vendo a tampa do filtro, coxa das trevas ... está escrito Bad Boy é à toa???




Óiqui Cara Pálida, veja bem,  roda raiada 21 será que foi isso que te deixou confuso? Ou seria alguma sopa de letrinhas FXS, e a pintura original, onde isso se encaixa no seu conceito abstrato de Blackline?  Santa Ignorância Batman! Alguém me tira me tira, me tira daqui!!! Tira ele, melhor.


Reduzi-me à minha insignificância e não abri a boca.    


Sem lograr êxito, parti para a técnica das 21 respirações.... só havia 2 opções, estragar a foda do espertoman ao fazer algumas correções pontuais no seu discurso empertigado, e assim solapar as ilusões da garupa apaixonada, ou cometer uma ato de caridade,  saindo de fininho para tomar uma água gelada na padaria da esquina

Evitei a fadiga, preferi a padaria. 


Making-Off 

Estou há meses querendo esquecer isso mas não rolou, então resolvi contar e pronto.