sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Xícara Branca

 Bom dia moço, um café pufavor.
O moço atarefado areparou na formosura, e mandou um sorriso de galanteio.
Pois não morena, serviu rápido o café, em um copinho de pinga.
As branquinhas tudo servidas em alvas xícaras, e a preta no copo de pinga?
Encarou o moço e deu as costas ao café, ia elegante amuntada do seu orgulho negro.
Êi morena, volta aqui por favor,  me perdoa, armou a maior cara de gato do Shrek, e ofereceu o café em uma fumegante xícara branca com pires e colherinha. Açucar ou Adoçante?
A preta bonita dessa vez aceitou as desculpas e o café.


*Para M. Madalena


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Óia o Trem

Nos antecipamentos de  passar, diz que um fumacê branco abre os caminhos na noite.
A neblina ligeirinha se almolda nos trilhos de jeito que vem se abrino tudinha pr'ele passar

As casinhas de madeira,  seguram meio no susto um sopro gélido.

Quem vem do Além-Graxa é o Trem Fantasma, a culpada foi a marvada da caldeira, que num último ato de rebeldia se explodiu em ferro tinindo e labaredas vermeias, carregando consigo a alma do trem  mais  meia dúzia nobres almas ferroviárias.

A Locomotiva Macabra, vem do 13º túnel, botano fogo pelas ventas e graceja nos trilhos de novo,  nela os finados, de apego com estrada de ferro, compromissados eternos na luta de domar a caldeira em fúria, das veiz  nem sabem que jazem todos no cemitério de Paranapiacaba. 

Na duvidança, fazes a molecagem :  pões a moedinha no trilho, não sejes mão de vaca e colocas logo a de 1 Real, é garantido que a recuperas, de onde vem e pra onde vai o Trem Sobrenatural, os dinheiros carecem de serventia.

 Não é porque eu não vi que não existe e não é porque eu vi que existe.

* In Memorian - Jacaré *



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

CABEÇA DA ANTA

Aí a gente encontra o Serginho em Sorocaba, que eles vão descer pela Serra da Cabeça da Anta.
Serra de quem ? 
Da AAAAAnta!
Tá. 
Assim os últimos dos morning-riders acordaram o coitado do despertador, optamos pelo Rodoanel, e pegamos a Caslelo Branco,  em Sorocaba paramos para esperar os meninos, esse povo também é morning rider e não se fez de rogado. 

Já chegou o Serginho falando do "cocrete" da Cabeça da Anta, que a gente vai tomar café em Tapiraí na Cabeça da Anta e comer o croquete... porque o croquete...  o Sabath reclamando do Serginho que só pensa em croquete e o  Adilsinho, que já passou por ali de tudo quando foi jeito, puxou o trem, e deu as dicas  da estradinha.

O Roteiro combinado é facinho,  de Sorocaba só seguir sentido Pilar do Sul -Piedade-Tapiraí-Juquiá de Juquiá os meninos seguem  na BR 116  para o Sul e eu e o meu Cangaceiro voltamos para casa pela Serra do Café. 

Piedade é conhecida como o Portal das Águas, ôw não dá nem para molhar o pé em uma das cachoeiras? Sendo voto vencido, nem tentei a sorte, volto outro dia. 

A estradinha é daquelas que vai enroscando na Mata Atlântica, muita curva, tudo pista simples, asfalto úmido,  sem espaço para arrependimentos, mas o visual é muito lindo, uma judieira não haver mirante ou quase nenhum acostamento. 

Na Entrada de Tapiraí vi a placa "Capital do Genibre" e meu coração deu até um geladinho, eu já queria parar e encher os alforges de gostosuras gengibrentas... nem deu tempo de consultar a base aliada, tocamos em frente... ai meu pai, volto outro dia também. 

Enquanto eu fazia as curvinhas  só no êêêê boi, torcendo para a minha linda Marcelina desviar dos buracos por conta própria, fomos ultrapassados loucamente por uma turma de Big-Trails, deve de brotar pulga no fiofó deles quando avistam umas HDs jogando óleo na pista né?!?  Nem roguei praga.

Só de xeretice, o nome "oficial” da região  da Serra da Cabeça da Anta é Sertão da Serra de Paranapiacaba a estrada é a SP-79, iquenhequesabia. 

Paramos  no restaurante Cabeça da Anta, por causa do Serginho, do croquete e porque é daquelas paradas de beira de pista do jeito que a gente adora.  

Em frente ao restaurante está a Cabeça da Anta em forma de fonte, que foi instalada em 1936, e tem uma cascatinha ao lado (deu até comichão).

Diz que no começo do Sec. XX uns cavaleiros passavam pela área e houve um desmoronamento e apareceu lá no meio uma anta, ou a cabeça dela ... como ali tinha uma fonte batizaram o lugar de "bica da anta", há também a tecla sap tupi-guarani que traduz Tapiraí como "terra da anta", num sei só sei que foi assim.

Logo já atravessamos para beber a água sagrada da Anta,  que cura mau olhado,  pedra no rim, só não cura vontade de comer "cocrete".

Tira o retrato nosso aí! Rapaiz já pensou a conta de água daqui!
A Anta parece que se mancou do desperdício e parou de jorrar aquela aguaceira toda morro abaixo, o povo que chegou lá de galão em punho saiu magoado, e a gente entrou de fininho no restaurante, pensando em tomar o último café antes do tsunami... 

O moço que serviu o café com croquete disse que nunca viu a cabeça da Anta secar... eu não como croquete, e pedi a "cueca virada" (crostoli para os mais italianos) e ainda levei umas para o lanchinho da tarde. 

Logo que ligamos nossas traquitanas, a água retornou à fonte, mistérios... seguimos até o pé da serra em Juquiá, abastecemos e despedimos dos amigos.

Desapeguei de ver as horas, da previsão do tempo, não fiz conta prévia da kilometragem e me diverti que nem que gente grande.
 


* O Serginho ainda ficou devendo o passeio na Serra da Macaca, ou sei lá eu  qual outro bicho. 




   







sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Terra de Lobisomem

Nascida e criada na formosa Serra da Mantiqueira,  São João do Curralinho desde sempre deu guarita à assombração e cachoeiras,  é passeio bom para salvar o domingo.

Antes  dos findamentos da I Grande Guerra é que o nome do lugar  mudou para Joanópolis,  visto que o padroeiro já era o São João e por lá passou muito João ilustre : Coronel, construtor, o moço que doou o terreno para erigir o cidade,  fogueteiro, oficial de justiça...  e algum lobisomem,  assim sendo, acertado foi o nomeamento.

Para chegar lá, o caminho mais bonito, consiste não dar bola para o google maps, sair logo da Fernão Dias, e já entrar para Bom Jesus dos Perdões/ Piracaia, a estradinha selada caminho da carroça é cheidicurva,  Mantiqueira já tô te vendo, Serra do Lopo, tô ino aí!

Rodeada de serra por todo lado, a terra do Lobisomem, onde nasce o rio Piracicaba. preserva bastante mata nativa,  é no farejo do perfume de mato orvalhado, seguindo pela Estrada da Cachoeira que chega na Cachoeira dos Pretos, lá tem de comer, de beber, de dormir, de aventurar e de nadar.

Diz que o nome da queda d'agua é pumordi dos escravos,  que honrosamente, lá de cima se tacaram na discordância de tão aviltante condição... a versão mais fitness da história remonta à família de origem portuguesa Preto de Oliveira, que batizou a cascata de mais de 150 metros de altura e o bairro.

Depois do banho de rio, só de zoiudice foi um café com bolo de milho... ai meu pai...

Na volta, valeu esfriar os motores das motocas  e visitar a Parada do Queijo, onde  tem a Dona Marisa e a Bia,  boas de prosa,  elas provaram que causo  de assombração bão mesmo é de  beira da pista,  tem causo de saci virado em nenê que morde, de parente que ao passar a porteira, correu do cachorrão Duque, mas estava mesmo é com o Lobisomem no encalço, de lago que se alumia no meio da escuridão, de converse dos vultos assombrados na estradinha... acompanham os mistérios o cafezinho caipira no fogão à lenha e delícias da roça, difícil mesmo é lembrar do nome e esquecer o gosto do Queijo  do Lobisomem curado nas taubinhas em semana de lua cheia (tá... inventei do peludo pra frente...  o nome certo do queijo é Araxi na Madeira), mas a taubinha é verdade e o queijo é do bom.

Em Terra do Lobisomem,  de tanto  o peludo mostrar as feições nas porteiras, nos  terreiros, no pé da serra,  nas estradinhas de chão, na beira do rio,  no galinheiro, na mata,  na praça e em tudo quanto é canto,  o povo de lá  tratou de fazer amizade com o bichão.

Não é porque eu não vi que não existe, e não é porque eu vi que existe.


https://www.joanopolis.com.br/sobre-joanopolis.html

https://www.joanopolis.com.br/o-lobisomem.html

https://www.joanopolis.com.br/historia/o-porque-joanopolis-e-a-cidade-de-joao.html

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Memórias da escrivaninha

O mistério de estimação da molecada da casa era a escrivaninha do Seu Joãozinho Eletricista.
Tínhamos ganas de revirar às escondidas as gavetas e devassar aquela papelada toda, haveriam fotos antigas? Segredos? Esquemas elétricos dignos de Nikola Tesla...mini engenhocas causadoras de choque? Iquenhequesabia?
Os meninos queriam achar foto de mulher pelada e mapa do tesouro, porém, nunquinha houve colhões.
Em idade avançada, foi o Seu Joãozinho alumiar outras paragens, e ficou a escrivaninha.
Chamou a atenção, na última gaveta, uma pasta de plástico, eu, historiadora não praticante, já mandei logo tirarem o zóio, fiz refúgio no outro sofá e bisbilhotei os arquivos da pasta marrom, os avós mortinhos que me perdoem, vi tudo.
Entre outros achados arqueológicos, compunham o acervo:
Recortes de jornal, em especial um com a foto do Seu Joãozinho, do Seu Ercílio e mais uns camaradas bigodudos; bilhetes que marcavam reuniões secretas, talvez os conspiradores mais idealistas do Cambuci; correspondências bem humoradas do amigo, que presumo eu, combateu na Revolução Constitucionalista de 32, e confessava uma total ausência de talentos bélicos; cartas da Itália para o "Bisô" com o timbre da Barbiere di Rotonda; uma solicitação de transferência da escola particular para a pública, onde Seu Joãozinho findou seus estudos elétricos, a fim de exercer nobre ofício de alumiar, chorei e pronto.
Tinha ainda uns dobradinhos de papel amarelo-folha-dura, que compunham uma trilogia de cartas:
Na primeira, com letra de formiga desencaminhada, e gramática sofrida, Belinha da Fazenda Esmeralda declarava saudades e amor.
A segunda em apaixonada caligrafia magistral, Joãozinho Eletricista da Capital prontamente respondia saudades apocalípticas e amor por toda vida.
Na terceira, a impetuosa caipira, mandou a resposta da resposta que não recebeu e esculhambou.
Talvez explica melhor expor a cronologia da coisa toda:
Carta da Belinha, 11-03-1946
" .... tenho saudade ... a Helena até fica brava comigo porque só falo de você ...."
Em seguida, o suposto rascunho da carta do Joãozinho - sem data, à lápis, era tanto dengo que até dava choque:
".... Relembro os doces momentos em que estamos juntos... " "... Belinha volte o quanto antes... "
Carta da Belinha 16-03-1946 (aquela esculhambando)
"Estou cançada de esperar a resposta da carta que mandei dia 11 por isso quero saber se e falta de tempo ou mal vontade e assim que voce gosta de mim?...... " ... " vou no correio todos os dias só a espera de uma carta e volto muito triste ando 2 quilometros e nada...
Especulo que as cartas seguiam da Capital via algum cata-jeca até aportar em São José do Rio Pardo, talvez na Estação Paula Lima, onde minha impaciente futura avó superestimou a agilidade dos Correios.
Aposto que meu avô respondeu, mas a carta extraviou, e por galhofa ele guardou o rascunho entre as duas outras cartas.
Naquela tarde de profanação, foram lembrados também os quitutes sem igual e o peculiar pavio curto da D. Belinha.

terça-feira, 16 de abril de 2019

AS PRISIONEIRAS DO GENERAL

Agora os arquivos eram uma bagunça de fazer dó.
As memórias não estavam organizadas por ordem alfabética, assunto, ou qualquer marcador.
Na arrumação, o General deixou à mão aquilo que lhe interessa  e colocou lá no fundão das gavetas tudo que não gostava de lembrar.
Por descuido de algum neurônio desavisado, uma lembrança importante ia parar no sótão, ou no porão e aí era uma trabalheira doida para achar a marvada; em contrapartida, outras vinham à tona sem ninguém chamar,  os seios de uma sirigaita francesa, um regalo nos tempos do “Fuhrer”.
Durante o conflito, o General carimbou muitos passaportes para o além.
Na tentativa de banir da memória aqueles que bateram as botas sob sua encomenda e apartar um eterno lamentar de prisioneiros, o General montou em sua cabeça um campo de concentração, para onde enviava as lembranças que mais lhe desagradavam.
Por mais que erguesse cercas de arame farpado, e montasse guarda, sempre alguma maldita prisioneira escapava.
A fugitiva lhe percorria a mente feito um estilhaço, transformava-se em uma torrente que não raramente jogava-o atônito na cadeira de balanço, até que a lembrança rebelde fosse novamente confinada.
Desenvolveu o General uma lerdeza seletiva para localizar suas memórias e evitava fuçar nos arquivos bélicos.
A moça da TV chegou de surpresa e fustigou o General com perguntas sobre a guerra, os campos, a SS...parecia um interrogatório na tenda do inimigo.
Foi uma negação. O General era capaz de desfilar um rosário de nomes e patentes na sua língua mãe, mas quando se tratava de suas a (des)venturas na guerra, sob o pretexto da idade, dizia com um sotaque indiscutível que só se lembrava de uma fumaça densa que o sufocava aos poucos.
Enxergava-se sob a névoa,  de uniforme e botas poeirentas, lembrava  do cheiro da morte nas trincheiras, avistava a terra de ninguém semeada de soldados caídos, e num piscar de olhos estava o General à beira de uma grande vala, destino final de incontáveis corpos esqueléticos. 
Depois do fiasco, a jornalista mudou a pauta para não perder a viagem, e lá se foi, furiosa, com uma história bucólica qualquer para editar.
O velho tornou a soltar o pastor alemão no quintal, e sentou-se na varanda.
Com voz de comando enfileirava as memórias fugitivas para novamente enviá-las ao campo de concentração.
O armistício tardou a chegar, e as memórias prisioneiras foram sufocadas em uma câmara de gás.
O General preservou do seu holocausto apenas as lembranças das raparigas de Paris e algumas ruas de Berlim.
A governanta falou que ele malucou de vez.

* Versão 2019,  Causo publicado na Revista do Arquivo nº08
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/revista_do_arquivo/08/)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

ÁGUA SAGRADA


Pumordi de um banho de rio, segue em estradinha de sítio de encontro à serra, só chega quando o caminho  acabar, logo ali depois da ponte, onde a água sagrada que cura e que sara, desliza ligeira em leito de pedra.

Flutuam as palmas das mãos, antes da avalanche de pedrinhas redondas sob os pés precipitarem  o mergulho, engana que é verde o poço  cristalino.


Forte é o fruto da montanha, barulho de água doce não sabe parar, faz eco no vale, verte cheiro de molhado que seca em pedra quente de sol.


Imaculada água da Mantiqueira, no  desfrute de regar tudo em seu caminho, banho de gelo aluminado em arrepio.
Por gosto de deixar levar, vão os ombros ao fluir  transparente da água bonita que acode ao clamor, e abre picada na mata, virada em generosa cachoeira,  corredeira, e remanso.





Quando o frio de viver fizer o beiço roxo, vai à beira, esparrama em grama fresca que o sol tudo há de aquecer.

*Águas de Marambaia

quinta-feira, 21 de março de 2019

DORME O JACARÉ

Balança o voal da janela um ventinho cintilante.
Diz que é o sopro da paz de um Deus arejando a face de quem dorme.
Tem uma luz sagrada quinenqui um por do sol pra sempre a lampejar.
A luz fresca de alecrim que banha e revigora quem dorme.
Se achega ao pé da cama o qual tiver de se achegar e quem dorme já sabe onde e porque está.
Sem dor, nem drama, quem dorme vai acordar a fazer piada na hora que se aprontar.
Em cama branca, resplandecente,  do outro lado do acostamento,  dorme o Jacaré.

 Amigo querido e motociclista inveterado

*20/03/1959
+20/03/2019

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Voodu é pra Jacu


A fixação de findar 2017 com um banho de cachoeira rendeu uma uma ida à Serra da Mantiqueira.
Em  Monteiro Lobato, pausa para um cafezinho. 
O jeito mais bonito e gelado de tirar a poeira da estrada foi se tacar sem moto na cachoeira Pedro Davi.
Cachoeira Pedro Davi
O moço da padaria botequenta no centrinho de São Francisco Xavier,  falou mais que o homi-da-cobra, depois do café, cismei com açaí e uma farofa da área que leva amendoim e farinha de milho, e o diabo demorou a vida toda,  rependi.
Partimos sentido pousada, só 6 km do centrinho, da padaria e do maledeto açaí.  Um toró se avizinhava.
Pousada Canto dos Passáros - SFX
- Fica de zóio na 
placa km 14,  cerca coisadinha de bambu ... logo ali... tá, eu ouço vozes. 
Uma puta tempestade fez da simpática estradinha um pesadelo, visibilidade prejudicada, baixa moto-estima, trovões de efeito moral, e uma ventarola das trevas, garrei na moto quinemqui gato.
Ô água gelada, ô chuva sem jeito, faltou o acostamento para  um xilique total-ai-que- delícia, só que não. 
Depois da serrinha (que emergiu de forma insondável no trajeto)  vi a plaquinha km 26. 
Putaqueteopariu, passou varado! Volta !!! Volta!!! 
Taca-lhe outra surra da chuva no alto da  serra. 
Santa Bárbara da Marcha Baixa,  vemninóis km 14, vemninóis km 14,  ounnnn, vencidos os galhos caídos na pista...  açaí lazarento, chegamos.
Sob a égide do toque de recolher do verão na Mantiqueira ( 16:00), tentamos a sorte:
A pé trilhamos até os mirantes no Pouso do Rochedo,  é bonito, porém mais me apetecem  as oito quedas d'água da propriedade,  escolhemos  a Cachoeira de Santa Bárbara para desvuduzar, foi só acomodar a buzanfa no banquinho de pedra e esquecer da vida, porque Vodu é para Jacu.
Já a tentativa de jantar na cidade  rendeu o mico de improvisar  abrigo  no pontinho de ônibus à beira pista  até a chuva acalmar.
No último dia foi banho de rio na pousada.
Após o almoço no centrinho de São Francisco Xavier,  puxamos os afogadores para esquentar as carburadas e #partir.
Lá vem um tiozão, camisa polo do jacarezinho, bermuda, e sapatênis ornando,  turistão,  ai meu saco. 
- Podem desligar essas motocicletassss... (mais mandando que perguntando), vocês estão nosss atrapalhando a ouvir bossa nova, bradou o almofadinha de taça em punho.
- Desculpe, mas se vossa magnificência não tivesse atravessado a rua, não teríamos educadamente tirado os capacetes para lhe ouvir, e  já estaríamos na saída da cidade.
 Amuntamos nas motocas e foda-se Tom Jobim da Mantiqueira, 
enfia no fiofó o violão e o banquinho, que eu vou é andar de moto. 

Making-off 

Na tecla SAP tupi diz que Mantiqueira significa gota d'água, só faltou avisar que cada gota é um balde. OU Serra que Chora, tá, entendi! 
O Santo Francisco Xavier, foi gente de carne e osso, português, milagreiro, canonizado, e poliglota, esteve em missão no exótico Oriente, foi amigo de Inácio de Loyola e cofundador da Ordem dos Jesuítas. Puta cuirrículum. 
Ao que tudo indica veio a emprestar seu nome ao charmoso lugar na Mantiqueira,  diz que tinha o dom de prever o futuro e acalmar tempestades. 
Santa Ignorância Batman... 


https://www.cantodospassarossfx.com/ 

http://pousodorochedo.com.br/cachoeira/

terça-feira, 10 de julho de 2018

Crônicas do MS- Parte II - Achegando



Era só sair da pista dar uma lambida na poeira corada de Dourados que já chegava na sitioca.
O gramado foi virado em uma plantação de traquitanas.... era só tec-tec de motor quente.
Uma turma chegou e promoveu uma visita inusitada ao galinheiro,  diz que fumaceou tudo da cerca pra lá,  teve galo caipira cantando em latim, galinha recatada e do lar que desinibiu total, franguinho plantando bananeira .... e galingalizé sortando a franga, sei de nada não. 
Mais rodamoinho de poeira e o povo foi se achegando,tinha churrasco e cervejada, podia também poluir a piscina, esticar a carcaça e contaminar a grama verdinha.... ou... visitar o galinheiro.... 
O Fidel e a turma de São Gonçalo montaram acampamento, já outra galera passou para tirar a poeira de estrada da goela e seguiu viagem.
Salvou a madrugada o amigo Sertanejo que na gana de justificar os apelidamento, fez umas cantorias de moda de viola raiz e deu um chega-pra-lá no som paulera que rolava nas caixinhas possuídas. 



O galo se aprumou e logo cedinho despertou a marvadeza toda, era dia de seguir viagem. 
Ficou a  Sitioca no retrovisor e o trenzão seguiu fincado para Ponta-Porã,  os marmanjos compraram uns trecos no Paraguai e teve cabra firme no xaveco para com as lindas paraguaias, dignas trabalhadoras do Shopping China - Sem sucesso, chora marvadeza. 
Passamos a noite na fronteira e teve sorvete. 
No caminho para Bonito, segue o trem, o batidão  avisa que estamos na área, ainda que vulcanizados. A grata surpresa veio na Serrinha de Maracaju, em forma de beijo de vento fresco,  o trecho  bordeado de mata nativa generosa,  não economizou na verdeção,   verde encantado, verde lumiado, verde dourado, verde fluido,  verde verdado, verde coiso,  verde bioluminescente,  verde  escuridão,  verde gafanhoto, verde tatuagem desbotada, verde bem verdinho, verde estalado, verde- burro-quando-foge, verde carteado,  verde varejeira ...   cinquenta tons de verde que ornam com os cinquenta tons cristalinos das águas que serpenteiam por lá.  
Sempre lembrar:
 * Do trem imponente que chegou na praça da cidade e do TREM DE DOIS, mais marvado, renegado,  difamado,   filmado, fotografado, e dronado do MS. (vide postagem de 02/10/2017 - Trem de dois)
 * Da Siriaita bonitense vestida de censura ( uma tarja nos peitos e outra no quadril) que foi no meu cangaceiro com o xaveco manjado  Ai que moto linda, meu coração até acelerou   (o meu  também, vaca!) posso tirar uma foto na sua moto??? e já foi logo sentando e depois eu já tratei de desinfetar o banco com "putox".  Haja paz interior... xô piranha....vaza voodu...sai pra lá rapariga. Né Cláudio!
Bom lembrar também:
*Do jantar tropeiro oferecido pelo Seu Peralta
* Do frio filho da puta que fez no dia da festa no Balneário Municipal, e a solidariedade da galera que entrou e poluiu o rio Bonito mesmo assim. 
*Da sofrência que foi voltar no calorão.  
* Do pernoite no "Hotel Cela 16" o mais furreco do oeste paulista, sem ar condicionado e com chiclete ploc grudado na lateral da cama de ferrinho, mas o chuveiro compensava. 
*De como é bom chegar em casa.  

Making off : VX 2017- Puta Viajão. 



quinta-feira, 5 de julho de 2018

VINGANÇA

David Mann 
De manhã, no trem, o dia estava de chuva.
Perdi o banco que vagou para um marmanjo a cara da arrogância, daqueles garotos infláveis bombadinhos dos infernos,  o orgulho da mamãe, camisa Duda-coisa-lina justinha cheia de gueri-gueri , cabelo topetinho no melhor estilo manivela de chupar pau, mochila importada da 25 de Março, a vibe da empáfia.
Atropelou-me o cabra e colocou o rabicó no assento que eu cobiçava. 
Então tá.
Malandramente coloquei minha humilde sombrinha encharcada para pingar no pé do paquitão, armei a maior cara de gato do Shek e desembarquei com o coração repleto de plenitude. 


Inspira e solta o ar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

DOMINGO É DIA DE NEUSA


Ow,  põe uma melancia no pescoço... carece não chefe, eu tenho uma sirene... é justo por isso mesmo....  cumprimentei o Cumpadi e chamei, ramu lá bicar um cafézes,   já começou a zuação, servi café pro povo que chegou cedo para fazer a festa funcionar... teve cabra que ralhou , caraio Lu sem açúcar...
E me escapuliu um sonoro:  É que eu faço café para HOMENS.... uhhhhhh e o Sorriso magoou, tadinho... desculpa, sei que não pode falar assim com o amigo.   
O Fernandinho além dos famosos brigadeiros da Thaís e da própria,  trouxe também a CG bolinha Marelinha, pense uma maquininha exibida...  que me fez lembrar  de outra moto.
Quidê o André que jurou de pé junto que a gente ia andar na motinho?
E o pessoal foi se acheganho,  Springers bonitas, motos garfudas,   café racer no stile, a sedutora Azulzinha do Trash HD FlatHead 1947(suspiros), traquitanas customizadas, cebezona tinindo e outros trecos classudos.

Várias meninas pilotas também baixaram lá, a Denise tomou um gorpe de coragem e chegou no evento pilotando sua moto, só faltou a camiseta de advertência com estampa piscante:  Cuidado Mina Biker Amaciando. (a minha usei até gastar).    
Um tantinho depois o amigo André na  cumprissão da promessa materializou na festa com a NSU 1939.. vai bocuda, para continuar o Voodu é pra Jacu invocamos o Bretas o Punk e ganhar na mega sena... pelo menos os caras apareceram.

Puts, deu problema na agulha e na coisalada da enfioleta, mas consegui arrumar...
Larguei-di-mão dos brigadeiros,  e passei a orbitar a motinho no melhor estilo mosca de padaria.
Para evitar atropelamentos, micos e outros bichos... minha vez chegou no fim da tarde...
Moto chaveirinho é facinha de andar teu fiofó .... toda velharia faz charme, birra e tem mãnha. Evitar, evitar, evitaaar o mico não deu não... .
O André baixou a portaria de instruções e explicou tudo bem explicadinho... o jeitão do acelerador, o câmbio longo de quatro marchas a óbvia ausência do acessório freio e outras vechiaias.



Amuntei na motinho e agora vai.... puf puf puf.... ela engazopou fez cara de a culpa é sua e morreu .... 
Como é público e notório não sou craque no quick-start...Pergunta lá para os Lobos o que eu fiz na festa deles.
Ligou e vai de vez,  a traquitaninha é forte, e bem divertida de andar, fiz a curva no fim da rua e vorti, fui de novo... tentei acionar o freio dianteiro e uma travinha do manete foi cirurgicamente ejetada.... mais mico.
O amigo se fez de rogado... aconteceu comigo também.... pedi mil desculpas pela patinha de elefante, encharcou um pouco a vela... deixa ela descansar.
Já estava formada a fila de malacabados, zóio brilhando,   para dar a volta olímpica na motinho, foi só sucesso,  na intensão de poupar o freio da maquininha o pessoal acionou o breque pé2  e nenhum cavalete foi derrubado, mas o Chicó roletou a valeta no fim da rua... e justificou: Quem nunca varou um cruzamento sem capacoco numa moto sem freio né?
André, tem que por um nome nela.
Ihhhh, a Lu já tá com apego...
Tem cara de Dorinha....
Não, tem que ser um nome alemão...
Frida.
Frida muito batido, não orna nela.
Nome russo é mais divertido
Para, ela  já é Neusa - NSU - Neusa
Deixa Neusa Skavurszka
E o André terminou de amarrar a NSU na fordinha azul e se foi antes que controverso plebiscito sobre o nome tivesse um fim.



Making-Off:
10º Evento de Springers e Motos Clássicas de Santo André, foi o último de ano e foi 10! 

Skavurzka em  Russo  seria grafado marromenos assim: скавурзка,  mas há controvérsias, diz que palavra é invenção dos publicitários da NET... diz também que é sobrenome de um dos donos da agência que bolou a propaganda, há ainda experts que explicam a mensagem codificada à moda guerra fria:  o prefixo 'ska', que significa "céu", mais o termo 'vurz' que significa "ir em direção", mais o sufixo de negação 'ka'. Assim, "Skavurzka" seria algo como "você não vai para o céu". Aí sim, orna com a Neusa e a turma que andou com ela.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Crônicas do MS - Parte I - O início dos começamentos.

Old Road 
Paramos para uma prévia no bar do Cyro, o Old Road Saloon puta lugar,  com as motocas na sombra da jabuticabeira partimos para  um café no galpão Estação, recheado de móveis antigos e outras velharias sedutoras,  ainda visitamos uma plantação de fusquinhas na oficina de um brother, tudo na Rod. Waldomiro Correa de Camargo km 57,5 em Itu.


Para a posteridade - Old Road 
O amigo Serginho inocentemente ofereceu a casa dele em Boituva como ponto de partida para o MS. Oferta aceita.
A mancha de óleo compareceu em peso e não parava de chegar gente... para poluir a piscina, o quintal, e comer todo o churrasco da face da Terra, a Erica, ama e senhora do leal amigo acomodou a galera em tudo quanto foi canto da casa, a Carla, sua fiel  escudeira também se desdobrou para dar conta da bagunçaiada, mais amigos foram chegando.


Invasão ao Oasis do Serginho 
O Miguel, filho dos anfitriões, que já pilota sua própria motinho queria sair no trem, mas a mamãe não deixa , o papai não quer e a legislação não permite, tadinho.
A amiga Poli que fez uma batatinha-no-moio impossível de parar de comer, dei a dica:
O primeiro passo para parar de comer essa perdição é jogar o palito fora... mas não logrei êxito.
Partiu na manhã seguinte para Bonito um trenzão pancudo, só máquinas do mau na pista, o Finco estreou a Police e o Carranca a Delux Varejeira, o Marcelão foi a bordo da Elvis, meu Claudio foi com a Branca eu com a Bad, o Edy de Dyna, o  Homer, o Serginho, o Cyro e o Will  com suas naves. O Zero2 foi de carro fechando o trem.
Sob um calor vulcânico, com destino a Dourados - MS, sem cair nem morrer, só novecentinhos e pronto.
A minha bike beberrona, programou paradas de 200 km em 200 km, sem combinar com os russos.
Máquinas do mau 
Em  Presidente Prudente a Old deu azia.... porém animada por um espírito de solidariedade, ela ainda rodou até o posto mais próximo... uns testes apavorantes, com a Bad de cobaia (assim meu coração num guenta, fui fazer um xixi amigo e não voltei)  denunciou que bateria jaz no km 500 e alguma coisa da Raposo. RIP Bateria.
Ponte do rio Parana 
O esperamento no posto abrigados do sol do meio dia até que foi providencial, os malacabados  se jogaram  nos bancos e degustaram uma sombrinha.
O Raul de 2 aninhos que viajou de carro com mamys e paps ( Paulinha e Zero2 e o "tio" Sorriso),  curtiu o posto mais que os barbados,  o lugar  mais parecia um Jurassic Park from hell  cheio de bichos gigantes de gosto duvidoso, o pequeno se esbaldou.
Como o povo é tinhoso... os meninos caçaram uma bateria e trocaram, deu certo.
Fronteira do Estado
Vai de uma vez... a partir daí foi rodar, abastecer, rodar, abastecer e tomar o máximo de água que coubesse na carcaça, o obsoleto truque de tacar água na bandana do pescoço para refrigerar o sistema ainda vale, e o cafezinho de beira de pista também ajudou.
Na entrada da ponte do Rio Parana (ô imensidão de água coisa mais linda) paramos para  umas fotAs na placa da divisa ... e depois the last gasolina em território paulista

Ao entardecer, galgamos as estradas Sul-mato-grossenses, maioria pista simples,  eu ainda ia serelepe, as destemidas garupas Karin (da dupla Karin e Finco) e Zuleica (da dupla Zu e Homer) estavam firmonas.... mas que tinha uns marmanjos cansadões isso tinha, já o Raul, o rapazinho mais biker do centro-oeste, ia feliz na sua cadeirinha... e o tio Sorriso a roncar e babar
Zezé e Parana - Nobel em hospitalidade 
Noite a dentro, lá a luz do mundo apaga,  tive um dejavu, vi a placa de Dourados apontar para um lado e meu Capitão puxar para outro... assim chegamos à Sitioca da Zezé e do Paraná (meus cunhados - prêmio Nobel de hospitalidade).
Sitioca - Dourados MS - Área de Lazer do Josias 
Não quero falar não, mas tinha uns marvado que vulcanizaram na pista e acabaram de derreter na Sitioca, pronto falei.
O Carranca colocou um som infernizante (ai meu Deus!), o pessoal se esparramou pela sitioca e confraternizou... até umas horas.
A parte de tentar dormir foi a mais digamos desafiadora, dividimos o quarto com o Cyro, o cabra morre e ressuscita de manhã, jóinha e o amigo Edy que ronca na acelerada e no retrocesso... quando o Edy deu um tempo nos roncamentos, o galo (há um galinheiro no fundo da sitioca) pegou a deixa, e cantou enlouquecidamente já de combinação com os parça da vinzinhança... o Marcelão e o meu Cláudio alegaram que nada ouviram... tá.
De manhã me vinguei vorazmente dos galináceos, comendo ovos caipiras oriundos do galinheiro preparados pelo Cyro, a Zezé trouxe café, pãozinho e chipas,  deu o maior IBOPE.
be continued...
Sobrou para o Edy
Making Off- A Bad deu azia nos 50 primeiros km e ganhou uma colinha no retrovisor... teve mais umas bikes que fizeram uns retoques de última hora em Boituva.