quarta-feira, 4 de novembro de 2015

GUARDIÃ


Motoqueiro rabugento, boa pinta e metidão, desligou a Viuvinha Negra.
Ao adentrar à casa, sua coragem rastejou para baixo do sofá, feito cachorrinho novo.


Tal qual mesinha de centro, uma assombração de calça jeans, guardiã imóvel da sala montava plantão ... na indecisão de ficar ou passar, o bundão acelerou e encontrou caminho pela direita.

No momento crítico da "ultrapassagem" quando  espremido entre o sofá e visão fantasmagórica, a luz apagou-se.
Restou ao valentão subir as escadas aos berros e solavancos, refugiando-se em  fervorosas orações à Nossa Srª da Graxa, na intensão de que a Tal lá da sala não viesse em seu encalço. 

Acordados todos na casa, seu Mané pai muito brabão, surrou Hector com uma calça jeans que encontrou de pé no meio da sala, o rapaz, por sua vez, fez o mesmo, com as duas irmãs,  acusadas injustamente  pelo engenho da armadilha sinistra.
A suposta  artimanha teria sido concebida pelas prendadas mocinhas ao recolherem uma calça esturricada do varal.


Making - off 


Causo  do século passado ,  quando calça jeans era de jeans, duro e pesado e sem frescuragem,
Sei, por fontes seguras, que a luz apagou sozinha mesmo.
Troquei uns nomes e coloquei uma graxinha para dar emoção,  

 Créditos da "foto" http://www.yoshihitotomobe.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FUMACENTA


Diz que em noite sem lua, tem luz de mansinho alumiando no meio do cafezal, desliza amaldiçoada procissão de gente sem cara, e velas à mão, rezando Pai Nosso do avesso,  condenadas à escolta de caixão que avôa 7 parmos do chão sem cair nem bambear.

Hordas de colonos a largar mão da lida por conta da maldição.

Personalidade rústica e cara vincada, sendo capataz, briguento e impetuoso, fazia ronda no cafezal montado em belo alazão Malhado... só que não... vou “amuntar” o peão em bela inglesinha que sinhozinho, menino coxinha, raptou de Londres,  caiu, ralou-se, desgostou e pronto. 
  
Na duvidança da crendice do povo, o valentão guardou tocaia. 

À visão da tal de luz, acelerou em trovoada de óleo queimado e fumaça branca, sacou a garrucha: Se for coisa Santa, que Deus que me perdoe, se for do Diabo, que Deus me proteja, porque vou passar é fogo....

Foi tiro e debanda geral, poeirão e assombração catando cavaco pelas 3 fazendas da redondeza, ancorado em terra vermelha ficou o caixão que avoava, desconfiança ... no bico da bota abriu a tampa, jaz sagrados grãos de café tipo exportação.  

Making-off

Diz que por “indulgência” da sinhazinha, ele conseguiu a posse da Fumacenta, a qual o cabra pegou amor, na moto, não na sinhá.


Reza a lenda que o capataz morreu muito velho e turrão, na ocasião em que rebentou a inglesinha na ribanceira.

Não se sabe se caiu porque morreu ou morreu porque caiu, mas diz que em noite fechada, há quem veja fumaça branca nos cafundós da fazenda virada em hotel chique.

terça-feira, 23 de junho de 2015

DEU MERDA

A Shovel quebrada retardou a saída , fora isso,  sempre tem quem precise abastecer, calibrar ,consertar e acelerar.
Com destino a festança Confederada, sol amigo sob um trem bonito de traquitanas
carburadas , ou não , springers ,  ou não , harley davidsons sim.

Aviso  “CARGA VIVA”  estampado  no caminhão, melhor passar que ficar , baixa uma e acelera.
Por seu turno, a bucólica vaquinha malhada, fiofó frouxo , despretensiosamente , deu vazão a sua necessidade estrumal.
Não teve jeito, o cara do “recolhe” e o penúltimo felizardo, os solteiros mais serelepes do oeste paulista, foram agraciados com uma glamorosa chuva de merda .

Pit-stop no posto para checar o caminho, tirar sarro , limpar  cocô , e tomar café.

Making-off

27ª Festa confederada  - Stª Bárbara do Oeste . Valeu a pena cada  km de estrada de terra,  pedregulho solto, poeira  e cocô nos amigos.
Tadinhos !

TÁ (OU) VINDO?

Carburadas na poerinha de chão batido, ilusão de acertar o
caminho, sem lua,  nem estrela, só neblina adentro.

Depois de duvidar, fazer o nome do pai e bifurcar à esquerda e à
direita , barulho de carroça desgovernada retumbante.
Tá (ou)vindo?

Manobra rápida das traquitanas para lateral beira-porteira, estrondo e silêncio na encruzilhada . Gasolina gelada nas veias.
Sem carroça, cavalo ou cavaleiro, para socorrer, meia volta,
freio-motor à toda prova e fog no retrovisor.

Eu hein!

Making-off
História da Roça,  narração original da Tia Palmira do MS, só
encardi, taquei um pouco de gasolina e pronto.

terça-feira, 17 de março de 2015

CLASSE MÉDIA PUTARIA

CLASSE MÉDIA PUTARIA - não, não é uma classe socioeconômica, 
é um estado de espírito, vou dar uma palhinha: 
É a dondoca e foi para a Paulista reclamar que está mais difícil fazer comprinhas em Miami , e julga você um motoqueiro filho da puta. É aquela patricinha entojada tentando caçar um partidão na passeata, esta lady sempre fecha a sua moto e depois te xinga. 
É o cara - Você sabe com quem está falando? - engomadinho, sonegador e "forgado" que acha que a lei não vale para ele, te fode no trânsito,  mas teve a pachorra de pintar a cara de verde e amarelo. 
É o coxinha acelerando no protesto, porque com as verdinhas em alta ficou dispendioso empetecar aquela penteadeira de puta que só serve para dar voltinha no quarteirão.
É  distinta coroa bonitona que para na vaga de idoso para não estragar a chapinha no dia de chuva, e desfilou sua bolsa de grife no Avenidão. 
É o playboy espertão que ralha contra a corrupção,  mas derruba a sua moto no estacionamento e sai de fininho 
É o tiozão , "gente boa",  tão insubstituível quanto incapaz assumir qualquer responsabilidade, esse também derruba sua traquitana e vaza.
São os pais de primeira , segunda, terceira viagem, que eternizam o DNA da intolerância (incluída na porra da falta de educação dos fedelhos). 
É estar sempre certo, e ter uma disposição férrea para enfiar o dedo na cara de quem pode menos, e se estiver de moto por perto o azar é seu.  
É a gostosa e sarada do nariz bonitinho, que até vai na sua garupa, mas se der moleza, faz você vender a sua moto para comprar uma merda de sofá ostensão. 
Muito da classe média PUTARIA eternizou em selfies narcisistas o seu cansaço para com a democracia.  

Making-off 
Pámordiquê? 
Coxinha - o termo que já foi gíria exclusivamente biker,  agora está em alta na mídia.. vai entender... 









sexta-feira, 6 de março de 2015

KILLometros

Sem apego aos faixa-branca tinindo,  sol de esturricar os miolos , mormaço defumando até o DNA
Estrada travada, café, água, Rio Paraná , pradarias , mais pista lascada, mais café, mais água, mais pradarias... 
Paisagem de primeiro capítulo de novela, entardecer vermeião e surra da estrada.  
Breu e acidentão alheio na chegada.
Owwwww !!! Para aqui !!! Douradas sirigaitas oferecidas, a cobiçarem meu cangaceiro. 
Para aqui vosso cu ... bando demalacabadas , projeto falido de garupeira, voodu das pradarias... desinfeta piranha , tira o zóio maria garupa, mangalô três vezes... cheguei. 


Making-Off
Seduzida pela idéia de vagar nas pradarias do Wywoming  
feito um siox desgovernado, topei encarar os mil e pouquinhos KILLometros até Dourados-MS. os últimos trechos, me quebraram. 
Só cansa demais, o que é bom demais. 
Contos retroativos - Novembro de 2014 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

SEXTA 13

Sexta 13 , o dia está de asfalto fumegante 
Amarrada na burocracia, feito graxa na corrente,
azeitando um sistema que se entende não concorda , e se concorda não entende.
Tédio de pneu furado,  motor afogado, boia encantada, vai na boca gosto de parafuso chupado.                                                                     
Melhor o batidão carburado do Evo derretendo as pernas e defumando as botas, que a monotonia dessa merda de ventilador a me provocar.


Making-off
Se eu fosse marxista no lugar de 
"feito graxa na corrente"  seria "massa de manobra"
no lugar de  "azeitando o sistema"   seria "massa de manobra" ... 
no lugar de se "entende não concorda" seria ....