terça-feira, 2 de outubro de 2012

Muita roda, muita lata.

Embalada em traje (ultraje?) social , sonho com um jeans sofrido
Tatuagens lacradas sob as mangas da camisa
Pés deprimidos nos sapatos de menina clamam as botas raladas
No lugar da maquiagem discreta, miro olhos borrados de vento
Café botequento de beira de pista, luvas já com o jeitão das mãos, bandana, vai no bolso a carteira presa à corrente.
Vontade de mandar janela à fora as parafernalhas tecnológicas escravizantes,e no pacote despachar a roupinha engana-chefe,
camisa passadinha e sapatos da cinderela
Rádio ligado, amarrada pelo cinto de segurança, a pensar  no batidão da traquitana carburada
Trânsito parado, muita roda, muita lata.

Making-off
Não tem , corrijam a gramática se eu pequei.
                                                                Tô enferrujando!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Viu?


Não fosse o neblinão e a chuva, aposto que a lua cheia estaria alta
Na noitada de velharias o mercadão abrigou os corajosos e os nem tanto.
Frio de derrubar assombração da árvore e Rock & Roll à partir, a farra seguia firme,
quem tinha de vir já chegou faz tempo.
Fumaceira branca, barulho de escape aberto e carburador falhando invadem o galpão, uma traquitana inglesinha vira parte da festa.

Making-off
Teve marmanjo que jura de pé junto que até cumprimentou o piloto da Norton From Hell ,  em contrapartida tem cabra que não arredou o pé do galpão jura não viu nada disso, viu? 
Diz que lá no cemitério da Vila, além da Trigueira Juliana está também um tal de Jack fugitivo de Londres  abrigado na neblina.

Em tempo
Paranapiacaba 2008 -  Quem foi, foi!
Para evitar fadiga judicial, só digo que o cara que viu o piloto fantasma é o mesmo que alega ter visto uma perereca cromada.  

Azulzinha

Nascida na década de 40 arrancou suspiros dos marmanjos.
Depois do banho, posou para as fotos e fez a alegria dos marvados
Linda, charmosa e clássica derreteu corações encardidos,
Foi cobiçada até o último segundo
Um só não gostou mais porque não lhe pertence, teve cara de pau dizendo que prefere vermelha.
Peça única e rara, depois de longo namoro, no fim é sempre a moto que escolhe o cara. 

Making-off  &&&

Trash, parabéns pela Azulzinha
A cara de pau fui eu, muito cara de pau... releve!

Zuretta e Mollambo, não venham cobrar direitos de imagem que não vai colar.



 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

TEM DÓ VÁ !!!

Nada de solidariedade com o café de beira de estrada, corre ligeiro pela conversa boa, não espera nem matando.
Sem pena de quem ama, é traiçoeiro na soneca agarradinho.
Matreiro no trabalho, escorregadio na farra.
Trama fina de vontade própria, imune aos desejos alheios, passa como quer.
Furta-paz marvado,vai embora sem aviso
Irredutível, eterno e impassível, faz valer seu poder.
Sob sua espada, nem birra, nem manha
Sem meios para escapulir, sobra acelerar

Ô relógio filho da puta, tem dó vá!!!

Making-Off
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fora da Lei

Segredo lacrado na poeira do porão
-Pega o carregador, que ali ainda sobrou uma tomada
-De quem era esta velharia?
-Da minha bisa-tri-qualquer-coisa-avó, a doida dizia que ia bater as botas nesta cadeira elétrica, mas a véia foi e a motoca ficou.
-Caralho Lucinha,  é das carburadas, ano 97, século XX, meu tataravó teve uma, mas era da S
-Heringer,  para de se gabar e ajuda
-Tá bão, fala pro André Márcio chamar o cara
-Dézinho liga lá, cê acha que esta coisa anda como?
-Tudo eu... Dezinho concerta, Dezinho faz andar...
-Já manda o cara trazer o pacote da alegria: gasolina, cigarro e café, o cabra tem tudo quanto é substância ilícita.
 
Making-off
Interior de São Paulo, sobrado detonado- reformado-detonado da família Thomaz, 02 de novembro de 2103
Diz que uma panhead jáz no sítio na beirada da antiga Capitão Barduíno,que a S foi parar em Itararé, e que o Dézinho é neto-sobrinho-segundo do Marcinho... 
 




sexta-feira, 30 de março de 2012

Cowboy

Em São Paulo quase Minas, frio de estralar
Cadeira elétrica branca vazando óleo à beira do vale
Lua minguante, luz de preguiça refletida nos cromados
Motor quente, cheiro de gasolina
Costas largas e Jeans surrado acendem o desejo em moça que passa.
A bela que monta na garupa, não volta mais, se voltar, tá bem comida, de coração moidinho e juizo avariado.

Making-off
No século passado, em noite de 13 de agosto o cowboy foi da estradinha feita no caminho da carroça para o paletó de madeira, sem escala na Santa Casa do lugarejo.
Diz que o marvado dá as caras no acostamento nesta data, na gana de ceifar alguma desavisada.
Azar, sorte ou dia errado, nunca o vi...
Reza a Lenda que a estradinha é a Capitão Barduíno

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Juliana

Madrugada, viseira turva de neblina, na estradinha garoa fina
Batidão carburado no fog londrino de Paranapiacaba
Atarrachada na garupa da miliduque vermelha, vai a morena trigueira
Curvas formosas, olhos de amêndoa
Faz que vai mas fica, beijo roubado no acostamento
Lua cheia escondida, despedida na soleira da porta
Pretexto para retorno, largou a jaqueta nos ombros da morena

Um dia depois o senhor de rosto vincado atende a porta, mostra a foto,
e para não passar por mentiroso leva o Alemão ao cemitério.
A jaqueta está à disposição no túmulo da trigueira, que bateu as botas há 17 anos.

Making-off
Diz que o nome dela era Juliana e jaz no cemitério de Paranapiacaba
Filha amada e professora querida
* 1970
+ 1995
Quem não acreditar pode perguntar para o Eullão.
O cara paga uma grana pelo resgate da jaqueta, mas tem que ser em noite de lua cheia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Verdade?

Doida não, impulsiva.
Vadia não, intensa.
Ingênua não, otimista
Ciumenta não, precavida
Impaciente não, apressada
Companheira não, cúmplice
Irritada não, furiosa
Teimosa não, decidida
Folgada não, ousada
Má não, perspicaz
Briguenta não, tempestiva
Insensível não, forte


Making-off
Verdade, espelho velho e distorcido, poça d'água no acostamento

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Coragem

Coragem é virtude, é defeito, caminha na beirada da burrice, flerta com a teimosia, orna com arriscado, faz par com destemido, atropela o muro do marasmo.
É graxa que encarde a alma e turva a lucidez, é mancha de óleo no coração.
Coragem é visilumbrar o melhor do que é bom sem fazer conta do que pode ser pior
Sem letras para explicar a solidão que vai no coração de quem tem coragem, sobra que ter coragem dói.

Making-off
Não tem e que se foda