terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Juliana

Madrugada, viseira turva de neblina, na estradinha garoa fina
Batidão carburado no fog londrino de Paranapiacaba
Atarrachada na garupa da miliduque vermelha, vai a morena trigueira
Curvas formosas, olhos de amêndoa
Faz que vai mas fica, beijo roubado no acostamento
Lua cheia escondida, despedida na soleira da porta
Pretexto para retorno, largou a jaqueta nos ombros da morena

Um dia depois o senhor de rosto vincado atende a porta, mostra a foto,
e para não passar por mentiroso leva o Alemão ao cemitério.
A jaqueta está à disposição no túmulo da trigueira, que bateu as botas há 17 anos.

Making-off
Diz que o nome dela era Juliana e jaz no cemitério de Paranapiacaba
Filha amada e professora querida
* 1970
+ 1995
Quem não acreditar pode perguntar para o Eullão.
O cara paga uma grana pelo resgate da jaqueta, mas tem que ser em noite de lua cheia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Verdade?

Doida não, impulsiva.
Vadia não, intensa.
Ingênua não, otimista
Ciumenta não, precavida
Impaciente não, apressada
Companheira não, cúmplice
Irritada não, furiosa
Teimosa não, decidida
Folgada não, ousada
Má não, perspicaz
Briguenta não, tempestiva
Insensível não, forte


Making-off
Verdade, espelho velho e distorcido, poça d'água no acostamento

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Coragem

Coragem é virtude, é defeito, caminha na beirada da burrice, flerta com a teimosia, orna com arriscado, faz par com destemido, atropela o muro do marasmo.
É graxa que encarde a alma e turva a lucidez, é mancha de óleo no coração.
Coragem é visilumbrar o melhor do que é bom sem fazer conta do que pode ser pior
Sem letras para explicar a solidão que vai no coração de quem tem coragem, sobra que ter coragem dói.

Making-off
Não tem e que se foda