terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sobre perguntas e respostas

Essa moto não é muito pesada para você ?
Não sei, é ela quem me leva e não ao contrário.
Já caiu alguma vez?
Claro, essa porra não para em pé sozinha.
E quando chove?
Molha, uai.
Você já fez viagem longa?
Não, todo esse motorzão é para pagar de gatinha na vila.
Já viajou sozinha?
Já, mas prefiro ir com a minha traquitana.
É barulhenta né?
Não consigo ouvir nada !!!!
Essa moto magrinha é Harley mesmo?
Era uma  Harley gorda,  mas dei Herbalife para ela.
Põe gasolina aditivada?
Não fio, põe comum, senão ela vomita.
Você não tem medo?
Me cago toda.
Seu marido não acha ruim?
Só quando eu fico lerdiando na pista. 
Porque não vai na garupa dele?
Pumodiquê  eu sei engatar primeira e sair.
Dói as costas? Doi, e a bunda também, por isso a cara de mau.
E se a moto quebrar e você estiver sozinha?
Vejo os cabos da bateria,  as velas, o miolo, se a boia encantou, se o carbura está magoado, se tem óleo, se mijou gasolina, dou tempo para ela parar com a firula, ligo para o seguro, tomo um café, chamo o Claudio e o Edy, tô cheia de opções.
Você que estava naquela moto enorme?
Não, aquilo era um holograma.
Todas suas amigas gostam de moto?
Só as poderosas.
Não bate muito vento no peito?
Em qual peito cara-pálida?  
O que seu chefe acha de você andar de moto?
Não é da minha conta.
Faz quanto tempo que você tem moto?
45 minutos. 
O que seu pai falou quando você quis uma moto?
Não e pronto.
O capacete não bagunça o o cabelo?
Não, quem bagunça sou eu quando tiro aquela merda.
Estraga a maquiagem?
Sim e fode todo tipo de artefatos femininos causadores de engano.
Mexem  muito com você na rua?
Não, só os sem-noção.

Making-Off:

 Ia excluir, mas fiquei com apego.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Voodu é pra Jacu


A fixação de findar 2017 com um banho de cachoeira rendeu uma uma ida à Serra da Mantiqueira.
Em  Monteiro Lobato, pausa para um cafezinho. 
O jeito mais bonito e gelado de tirar a poeira da estrada foi se tacar sem moto na cachoeira Pedro Davi.
Cachoeira Pedro Davi
O moço da padaria botequenta no centrinho de São Francisco Xavier,  falou mais que o homi-da-cobra, depois do café, cismei com açaí e uma farofa da área que leva amendoim e farinha de milho, e o diabo demorou a vida toda,  rependi.
Partimos sentido pousada, só 6 km do centrinho, da padaria e do maledeto açaí.  Um toró se avizinhava.
Pousada Canto dos Passáros - SFX
- Fica de zóio na 
placa km 14,  cerca coisadinha de bambu ... logo ali... tá, eu ouço vozes. 
Uma puta tempestade fez da simpática estradinha um pesadelo, visibilidade prejudicada, baixa moto-estima, trovões de efeito moral, e uma ventarola das trevas, garrei na moto quinemqui gato.
Ô água gelada, ô chuva sem jeito, faltou o acostamento para  um xilique total-ai-que- delícia, só que não. 
Depois da serrinha (que emergiu de forma insondável no trajeto)  vi a plaquinha km 26. 
Putaqueteopariu, passou varado! Volta !!! Volta!!! 
Taca-lhe outra surra da chuva no alto da  serra. 
Santa Bárbara da Marcha Baixa,  vemninóis km 14, vemninóis km 14,  ounnnn, vencidos os galhos caídos na pista...  açaí lazarento, chegamos.
Sob a égide do toque de recolher do verão na Mantiqueira ( 16:00), tentamos a sorte:
A pé trilhamos até os mirantes no Pouso do Rochedo,  é bonito, porém mais me apetecem  as oito quedas d'água da propriedade,  escolhemos  a Cachoeira de Santa Bárbara para desvuduzar, foi só acomodar a buzanfa no banquinho de pedra e esquecer da vida, porque Vodu é para Jacu.
Já a tentativa de jantar na cidade  rendeu o mico de improvisar  abrigo  no pontinho de ônibus à beira pista  até a chuva acalmar.
No último dia foi banho de rio na pousada.
Após o almoço no centrinho de São Francisco Xavier,  puxamos os afogadores para esquentar as carburadas e #partir.
Lá vem um tiozão, camisa polo do jacarezinho, bermuda, e sapatênis ornando,  turistão,  ai meu saco. 
- Podem desligar essas motocicletassss... (mais mandando que perguntando), vocês estão nosss atrapalhando a ouvir bossa nova, bradou o almofadinha de taça em punho.
- Desculpe, mas se vossa magnificência não tivesse atravessado a rua, não teríamos educadamente tirado os capacetes para lhe ouvir, e  já estaríamos na saída da cidade.
 Amuntamos nas motocas e foda-se Tom Jobim da Mantiqueira, 
enfia no fiofó o violão e o banquinho, que eu vou é andar de moto. 

Making-off 

Na tecla SAP tupi diz que Mantiqueira significa gota d'água, só faltou avisar que cada gota é um balde. 
O Santo Francisco Xavier, foi gente de carne e osso, português, milagreiro, canonizado, e poliglota, esteve em missão no exótico Oriente, foi amigo de Inácio de Loyola e cofundador da Ordem dos Jesuítas. Puta cuirrículum. 
Ao que tudo indica veio a emprestar seu nome ao charmoso lugar na Mantiqueira,  diz que tinha o dom de prever o futuro e acalmar tempestades. 
Santa Ignorância Batman... 


https://www.cantodospassarossfx.com/ 

http://pousodorochedo.com.br/cachoeira/

terça-feira, 10 de julho de 2018

Crônicas do MS- Parte II - Achegando



Era só sair da pista dar uma lambida na poeira corada de Dourados que já chegava na sitioca.
O gramado foi virado em uma plantação de traquitanas.... era só tec-tec de motor quente.
Uma turma chegou e promoveu uma visita inusitada ao galinheiro,  diz que fumaceou tudo da cerca pra lá,  teve galo caipira cantando em latim, galinha recatada e do lar que desinibiu total, franguinho plantando bananeira .... e galingalizé sortando a franga, sei de nada não. 
Mais rodamoinho de poeira e o povo foi se achegando,tinha churrasco e cervejada, podia também poluir a piscina, esticar a carcaça e contaminar a grama verdinha.... ou... visitar o galinheiro.... 
O Fidel e a turma de São Gonçalo montaram acampamento, já outra galera passou para tirar a poeira de estrada da goela e seguiu viagem.
Salvou a madrugada o amigo Sertanejo que na gana de justificar os apelidamento, fez umas cantorias de moda de viola raiz e deu um chega-pra-lá no som paulera que rolava nas caixinhas possuídas. 



O galo se aprumou e logo cedinho despertou a marvadeza toda, era dia de seguir viagem. 
Ficou a  Sitioca no retrovisor e o trenzão seguiu fincado para Ponta-Porã,  os marmanjos compraram uns trecos no Paraguai e teve cabra firme no xaveco para com as lindas paraguaias, dignas trabalhadoras do Shopping China - Sem sucesso, chora marvadeza. 
Passamos a noite na fronteira e teve sorvete. 
No caminho para Bonito, segue o trem, o batidão  avisa que estamos na área, ainda que vulcanizados. A grata surpresa veio na Serrinha de Maracaju, em forma de beijo de vento fresco,  o trecho  bordeado de mata nativa generosa,  não economizou na verdeção,   verde encantado, verde lumiado, verde dourado, verde fluido,  verde verdado, verde coiso,  verde bioluminescente,  verde  escuridão,  verde gafanhoto, verde tatuagem desbotada, verde bem verdinho, verde estalado, verde- burro-quando-foge, verde carteado,  verde varejeira ...   cinquenta tons de verde que ornam com os cinquenta tons cristalinos das águas que serpenteiam por lá.  
Sempre lembrar:
 * Do trem imponente que chegou na praça da cidade e do TREM DE DOIS, mais marvado, renegado,  difamado,   filmado, fotografado, e dronado do MS. (vide postagem de 02/10/2017 - Trem de dois)
 * Da Siriaita bonitense vestida de censura ( uma tarja nos peitos e outra no quadril) que foi no meu cangaceiro com o xaveco manjado  Ai que moto linda, meu coração até acelerou   (o meu  também, vaca!) posso tirar uma foto na sua moto??? e já foi logo sentando e depois eu já tratei de desinfetar o banco com "putox".  Haja paz interior... xô piranha....vaza voodu...sai pra lá rapariga. Né Cláudio!
Bom lembrar também:
*Do jantar tropeiro oferecido pelo Seu Peralta
* Do frio filho da puta que fez no dia da festa no Balneário Municipal, e a solidariedade da galera que entrou e poluiu o rio Bonito mesmo assim. 
*Da sofrência que foi voltar no calorão.  
* Do pernoite no "Hotel Cela 16" o mais furreco do oeste paulista, sem ar condicionado e com chiclete ploc grudado na lateral da cama de ferrinho, mas o chuveiro compensava. 
*De como é bom chegar em casa.  

Making off : VX 2017- Puta Viajão. 



quinta-feira, 5 de julho de 2018

VINGANÇA

David Mann 
De manhã, no trem, o dia estava de chuva.
Perdi o banco que vagou para um marmanjo a cara da arrogância, daqueles garotos infláveis bombadinhos dos infernos,  o orgulho da mamãe, camisa Duda-coisa-lina justinha cheia de gueri-gueri , cabelo topetinho no melhor estilo manivela de chupar pau, mochila importada da 25 de Março, a vibe da empáfia.
Atropelou-me o cabra e colocou o rabicó no assento que eu cobiçava. 
Então tá.
Malandramente coloquei minha humilde sombrinha encharcada para pingar no pé do paquitão, armei a maior cara de gato do Shek e desembarquei com o coração repleto de plenitude. 


Inspira e solta o ar.