domingo, 8 de fevereiro de 2009

Cachimbo e varanda

O cheiro do cachimbo recendia lá do portão.

A casa recheada de guloseimas era uma atração à parte.

Tio Rolando com sua voz de desenho animado, cara redonda e bigodão era dono de uma barriga que arrebentava os botões da camisa.

Descansar na cadeira de balanço era uma lei, estando ele cansado ou não, ali na varanda defumava com a fumaceira do cachimbo umas violetas que ficavam na janela.

Parecia mais uma entidade divertida que um tio-avô.

♥♥♥
Making-Off

Duvido que o fantástico Tio Rolando esteve realmente entre nós.
Mas aposto que se andou por esse mundo, foi irmão da Belinha ( aquela a mais bela entre as Belinhas da postagem de 13/01/2009)

Em tempo:
Reza a lenda que muitos anos depois, uns sortudos ainda sentem o cheiro do cachimbo quando passam pelo portão.

Salve Salete!

Dona Salete dispensou a fofoca, mas o rapaz insistiu:

- Ouvi falar que sua neta e as amiguinhas estão namorando escondido...umas com as outras.

Altiva e já farejando a calúnia do moleque rejeitado, aprumou-se na poltrona com seu desdém de imperatriz e retrucou solene:

- Meu rapaz, deixa as meninas brincarem que uma não faz filho na outra...

Pálido, o fuxiquento saiu estrategicamente pela direita.

♥♥♥
Making-Off

A avó imperatriz, quando brava era de dar medo...
Se Deus é justo Dona Salete é mais !
Quituteira de primeira, com sua risada impagável,
gostava de flores e reverências dignas de sua realeza.

E que a justiça seja feita:
As meninas nunca namoraram umas com as outras,
eventualmente namoravam os namorados de uma ou outra.