sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FUMACENTA


Diz que em noite sem lua, tem luz de mansinho alumiando no meio do cafezal, desliza amaldiçoada procissão de gente sem cara, e velas à mão, rezando Pai Nosso do avesso,  condenadas à escolta de caixão que avôa 7 parmos do chão sem cair nem bambear.

Hordas de colonos a largar mão da lida por conta da maldição.

Personalidade rústica e cara vincada, sendo capataz, briguento e impetuoso, fazia ronda no cafezal montado em belo alazão Malhado... só que não... vou “amuntar” o peão em bela inglesinha que sinhozinho, menino coxinha, raptou de Londres,  caiu, ralou-se, desgostou e pronto. 
  
Na duvidança da crendice do povo, o valentão guardou tocaia. 

À visão da tal de luz, acelerou em trovoada de óleo queimado e fumaça branca, sacou a garrucha: Se for coisa Santa, que Deus que me perdoe, se for do Diabo, que Deus me proteja, porque vou passar é fogo....

Foi tiro e debanda geral, poeirão e assombração catando cavaco pelas 3 fazendas da redondeza, ancorado em terra vermelha ficou o caixão que avoava, desconfiança ... no bico da bota abriu a tampa, jaz sagrados grãos de café tipo exportação.  

Making-off

Diz que por “indulgência” da sinhazinha, ele conseguiu a posse da Fumacenta, a qual o cabra pegou amor, na moto, não na sinhá.


Reza a lenda que o capataz morreu muito velho e turrão, na ocasião em que rebentou a inglesinha na ribanceira.

Não se sabe se caiu porque morreu ou morreu porque caiu, mas diz que em noite fechada, há quem veja fumaça branca nos cafundós da fazenda virada em hotel chique.