terça-feira, 5 de setembro de 2017

Doida

Transporte público é uma mazela  engastalhante e tediosa.
A tática de sobrevivência básica é entrar no latão e já ir cavucando para chegar no fim do vagão, menos lotado, evita assim alguma subaqueira permanente,  cheiro de dormido ou coisa pior.
O Eterno David 
Licença, licença, licença e logro êxito no objetivo.
Eis que hoje tinha uma psicopata no trem, sentada ocupando espaço de 3 cabras lá no fundão.
Pagou 3 passagens? Não. Ignora a proibição legal de sentar no assoalho do trem? Sei lá.
Parei de pé um pouco à frente da dona do vagão, ela abaixou os óculos escuros em uma franca estratégia de intimidação na luta diária por território, encarei de volta.
lembrei daqueles filmes estúpidos de sessão da tarde "Sr, tenho contato visual com o inimigo, câmbio e desligo..." me contive, mas alguma cara de deboche escapuliu.
Seria alguém que trabalhou comigo em 1935? Nem imagino.
Ataque e defesa,  armas biológicas de precisão cirurgica: espirros, tosses catarrentas, ranho de nariz, são de grande valia nessa hora,  ou o mais ultrajante dos armamentos: os peidos represados da manhã ... pena, todo meu arsenal estava zerado.
Indefesa peguei meu telefone... e não sei o que a folgadona ficou fazendo.
Seria a causa da implicância o meu visual moderno-quarentona-trabalho-de-coturnos-e-que-se-foda? o que faria a jovem Bolsanara?  Teria ela algum estratagema?  Ejacular em mim seria uma tarefa anatomicamente desafiadora...no mais diz que não é crime ... descartado, relaxei.
Cobicei  um acento que vagou, ela  rápida e lépida sentou-se desafiadora...emiti uma vibração de enfia o banco no seu rabo sujo de chão de trem, vaca e  ohummmmm, paz e plenitude invadiram meu ser.
Outro banco vagou... em frente a cu sujo, sentei né,  a inimiga movendo seus óculos escuros, fez novo contato visual... será que a moça não gosta do que eu gosto me paquerou? Duvido.
Retomei o celular e pelo whattsap avisei aos amigos e parentes que tinha uma psicopata no trem e não sei o que ela ficou fazendo, porque aproveitei e curti um solzinho abusado que dourava o vagão e me apetecia.
Na estação final, enrolei, e a tal levantou-se primeiro, derrubou celular, e sei lá quais outros cacarecos ... por precaução, tomei distância e não virei as costas para a minha mais recente adversária.







segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Blackline - Teu butão

Daí apareceu uma voz tanto pretensamente sedutora, quanto dotada de um verniz canastrão, com toda pompa e toda honra anunciou ao coração de uma moçoila desavisada.
Olha o que os caras estão fazendo agora com as Blackline,  e teve a idéia de apontar para a Bad Boy...a moça fez cara de admiração. 
Levantei as duas orelhas feito um pastor alemão... e concentrei minha mente,  o eloquente não se intimidou: 

Estão pegando a frente e colocando as molas para cima, referindo-se a frentona springer HD original... garrei no banquinho de cimento quenemque gato. Deve ser pegadinha...  
A descuidada fez cara de ohhh que demais, você é mesmo o máximo....enquanto saltaram coraçõezinhos de seus olhos, já eu ensaiei uma convulsão...

Ferveu a gasolina nas veias, tive ganas de explicar para o sabichão que Blackline era a sua bunda depilada,  aquela é uma autêntica bike CARBURADA dos anos 90:  Amigo, aqui ó: torneirinha e afogador, essa  frente original de fábrica chama S-PRIN-GER, pomordi que tem M-O-L-A-S. Tá vendo a tampa do filtro, coxa das trevas ... está escrito Bad Boy é à toa???




Óiqui Cara Pálida, veja bem,  roda raiada 21 será que foi isso que te deixou confuso? Ou seria alguma sopa de letrinhas FXS, e a pintura original, onde isso se encaixa no seu conceito abstrato de Blackline?  Santa Ignorância Batman! Alguém me tira me tira, me tira daqui!!! Tira ele, melhor.


Reduzi-me à minha insignificância e não abri a boca.    


Sem lograr êxito, parti para a técnica das 21 respirações.... só havia 2 opções, estragar a foda do espertoman ao fazer algumas correções pontuais no seu discurso empertigado, e assim solapar as ilusões da garupa apaixonada, ou cometer uma ato de caridade,  saindo de fininho para tomar uma água gelada na padaria da esquina

Evitei a fadiga, preferi a padaria. 


Making-Off 

Estou há meses querendo esquecer isso mas não rolou, então resolvi contar e pronto. 


terça-feira, 27 de junho de 2017

Suspense garantido ou sua gasolina de volta.

Sem partida elétrica é suspense garantido ou sua gasolina de volta.
Veste jaqueta, põe luva e capacete, e vai, rec rec rec, acha o ponto e quikca,  os pistões se fazem de rogados, nem sinal de vida.
Rec, rec, rec,  a tinhosa, mestre da falsa esperança, faz descompressão, rec, rec, rec e quicka, quase liga, só que não .... 
Rec, rec, rec, um  peido de óleo queimado pufff... expressa seu desprezo imperial.
David Mann - Eterno e Onipresente 
Rec, rec, rec, avanço no ponto, proposta indecorosa ao pé do cilindro: te  pago um  drink de gasolina com direito a talento no carburador... e rec, rec, rec, a birrenta vacila, mas não se deixa levar.     
Rec, rec, rec, entojo total, a inescrupulosa funciona, espera a comemoração dos súditos, aí, não segura a marcha lenta...  e faz aquela cara de morri sem querer, a culpa é sua....  
Calor, quente, queima, tira capacete, ranca luva e jaqueta e rec rec rec, filha da puta,  a cara de malvadão disfarça bem o contragolpe na canela. 
Já virou  atração,  aposta, torcida contra e a favor, pegar de primeira é chatão, arromba o suspense,  acaba o glamour encardido. 

E rec rec rec, a exibida cospe óleo,  simula afogamento,  resmunga e nada. 

Traquitana com quick é mesmo só para quem tem muito amigo.... quando um se dá por vencido, outro assume o posto, na fila já tem os malacabados, de zóio brilhando a fim de tentar o feito, e rec rec rec e tenta um, fodeu o joelho, tenta dois, tenta três...  faceira, faz que vai, mas fica.

E rec, rec, rec, volta o pai da criança com ânimo renovado, garboso e confiante e rec, rec, rec,  a faísca é prospera e ruge o motor... puta que pariu, pegou! 

É tão irreal quando pega, que até parece  que foi feita para não funcionar, marvada.  

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ROLÊ AZEDO

David Mann - sempre providencial. 
Opá, vou também... cadê a chave da Shovelzinha?

Só porque os caras queriam andar de chopper, foi uma trabalheira danada,  daquela de sempre, uma pega outra morre... liga a Garfuda, quicka a  Gengis khan,  esquenta Evo, pinga óleo ...  corre calçar os coturnos, empresta capacete, caça os óculos escuros, fecha a casa,  engana o cachorro e sai.
Depois de abastecer, mais uma tradicional sessão "uma pega outra morre", veio o aviso: Estou sem documentos. voltar buscar que nada...tudo malvado.
Trânsito sem explicação e da-lhe bloqueio da polícia... azedou

Rapaz, e o outro retrovisor?  Sr. trata-se de uma autêntica motocicleta 1952 original, (a Gengis Khan - uma chopper com mais mutação que soja transgênica) é assim mesmo.  Assim mesmo? Um ISSO seguro e reumbante colocou fim na proza. Meio desconfiado, o Guarda Belo coçou a cabeça e mandou seguir.

Bateu o zóio  na Garfuda,  aquela do cabra sem documentos, que cumprimentou a poliça e fez que entendeu que o "pode passar" era para ele , engatou primeira e saiu de fininho.

Na Shovelzinha, (setas em coma, velocímetro desmaiado, mas com o motor tinindo)  me fiz de do lar e recatada ... colou.

O outro homem da lei, olhou  meio de esgueio, fez vista grossa para o capacete jegue,  não entendeu a frente springer, e não sabe que aquele coiso ali  perto do pneu é uma sirene, mandou ir, o único cara mais ou menos pela ordem,  fechando o trem do azedume passou também.

Cada "cigano, oblíquo e dissimulado" passou pelas viaturas do jeito que pode...

A única coisa certa, certa, certa mesmo, era o tercinho finamente enroscado na Garfuda - usado na oração, reza, mandinga e amarração para a polícia não parar a gente.

Já no Rodoanel, gelado páporra,  algo cromado, libertou-se graciosamente de uma das traquitanas, bateu na faixa e foi abduzido.

Seta e freio pra quem tem... todo mundo no acostamento... e procura, que procura a tampa do tanque que esgueirou-se sorrateira mato a dentro...  aproveita para fazer uns retratos fora da lei, fumar um cigarro e prozear, faltou mesmo a garrafa de café.

Encostou a viatura: Algum problema? Procuramos uma peça que soltou da moto... , o policial scaneou  o cara  enfiado em uma calça engraxada no melhor estilo "Dentinho"... fez cara de reprovação, mas os berros da turma mais acima: Aquiii... Achoooou, achooooou... corroboraram a versão do calça-suja. Seu Guarda obrigado, já achamos.. ligou o giroflex e vazou para não zuar
o plantão.

Vazamos também.... puta rolê azedo da hora.

Making-off
Teve ainda uma tocaia  do Sr Rodoviário na saída do pedágio só para dar emoção.



 




terça-feira, 28 de março de 2017

KILLometros II - versão para quem não tem preguiça de ler


Nos idos de 2014, seduzida pela idéia de vagar nas pradarias do  Wyoming feito um siox desgovernado topei encarar os 1000 e poquinhos kilometros até Dourados - MS, depois mais um tantico de estrada até Pontaporã , e depois só atravessar a avenida para adentrar ao território paraguaio na fronteiriça Juan Pedro Caballero.
Bagagem ecomômica , justamente distribuída em 2 kg para cada alforge.
Antes do amanhecer , eu meu cangaceiro, o cangaceiro da minha amiga e mais um amigo
 nos desvencilhamos da cidade  e acessamos a rodovia  Castelo Branco sentido até acabar.
Já na Raposo Tavares, um congestionamento chato de transpor, reformas e estreitamentos na pista combinados a um calor de fritar os miolos completaram o kit desgraça do almoço.
Vencido o contratempo, paramos num posto, onde nos deparamos com a ambulância do resgate.

Bem que eu estava na precisão, mas eu não chamei ...  um rapaz acabava de cair do telhado em obras.
Arre que a bruxa passou a vassoura, valei-me Nossa Srª da Graxa. O moço foi socorrido e nós seguimos viagem .
A ponte do Rio Paraná, uma imensidão de água até onde o sentido alcança- bonito demais.
Abastece, toma café, roda nas pradarias, abastece, toma café , roda nas pradarias ...  por Nova Andradina  o caminho encanta e faz valer a pena a kilometragem.
Apagada a luz do dia e anda-e-para até parar de vez, a 120 km  do destino,  topamos com um acidente daqueles bem retorcidos.
Malestar geral...  depois de uma eternidade o fluxo segue.
Encardida, quebrada, e passada pelo moedor de carne, vista cansada, a estrada um breu da peida, quem mandou querer ser malvada.... chupa que é de uva, senta que é de menta e rebola que é de cola, pronto falei.
Tive um xilique de dondoca, dentro do meu capacete, quando a placa escrito "Dourados " apontava para um lado e meu capitão nos puxou para o outro, mas a partir deste ponto, rapidamente chegamos à sitioca da minha querida cunhada, Zezé, eu te amo!
 Tudo que eu queria era chegar, chegar , chegar ...  foi orgasmico por a moto no descanso e lavar a minha cara suja e cansada.
A recepção foi tudo de bom com churrasco e festa. (tá bom,  não como carne, mas tinha salada).
Vou contar que eu estava com birra da moto, bode mesmo, nunca mais queria por a bunda naquele banco ...coitada da carburada. Bom mesmo era escorar minha carcacinha em algo que não tem meios para se locomover.
Ainda assim,  seguimos, de moto,  da sitioca para a casa na cidade onde uma cama boa nos esperava, a recepção foi digamos ... surpreendente: Umas sirigaitas douradas,  abusadas, ao avistarem MEU cangaceiro começaram a pular na porta do boteco feito umas cabritas - Ow ow owwww  para aqui .
Hein? Rodei mais de 1000 km ouvir essa, me economize perua  .... para aqui teu tobinha ... bando de malacabadas, projeto falido de garupeira, voodu das pradarias... desinfeta piranha, tira o zóio maria garupa, mangalô três vezes...
Na manhã seguinte , passada a birra,(da carburada, não das douradas), engatei primeira e seguimos pela BR-463 sentido Ponta Porã.

Setembro, vai ter os repetimentos.... tem coragem?
Aviso aos marmanjos que o roteiro de 2017 não inclui o boteco das sirigaitas.

Faltou contar os perrengues da volta: lobo na pista de madruada, marvado que arregou e dormiu na varandinha do posto, gente trocando escapes rabo-de-peixe por salompas...


segunda-feira, 27 de março de 2017

COMO SALVAR UM DOMINGO

Diz que Domingo é dia de louvor,  o caso é que se trata de dia meio sem jeito, na antecedência da o/tediosa segunda-feira, ar fúnebre, enterro do fim de semana.

Para salvar esse dia, necessitou dormir menos, tomar mais café, teve os precisamentos de uns cabra descendo de caçamba de picape, feito figurante de filme de gangue mexicana, teve de  virar torneirinha de carburador, pedalar quicks sem miséria, improvisar carga em bateria preguicenta, uma pega outra morre conforme a combinação.
Para salvar, teve de formar o tradicional  "Trem Ostentação", empurrar Chopper birrenta que esperneou e quis carona, providenciar a santa gasolina nossa de cada dia...
Precisou também de sol amigo reluzente nas motocas, de lanche no capricho, de bebida de vikings ou botequentas, chope de Tuk-Tuk, e água gelada.

Para salvar, salvar mesmo o domingo, precisou das velharias barulhentas, motos clássicas  e traquitanas orgulhosas, de mancha de óleo e ferrugem, e mais e mais amigos, encardidagem geral, abraços sem frescuragem, felicidade estampada em couro e cromados, de causos de viagens, de lembrar asfalto passado e combinança do asfalto no por vir.

Precisou também de futuros pilotos, de criançada danada, de tatuagem de chiclete, e fiéis escudeiros caninos, de malvadões e malvadinhas, Cangaceiros e Lobos e tantas outras cores. Teve precisão de uns marvados firme nos organizamentos e na função, e sai pra lá tentação!

Para o salvamento, careceu de live Rock&Roll, da leal banda, que tardou mas não falhou, e de garotas e cabelos e cores, de um pouco de batom e tatoos, precisou da noite chegar de fininho, do batidão da traquitana no caminho de volta,  e não ligar a televisão. 

Making-off
6º Evento de Springers e Motos Clássicas de Santo André, emplacou em mais um domingo salvo.

Agradecimentos a todos que participaram e de quebra ajudaram no salvamento...


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

110 ou 220 ?


SIM, era a resposta padrão mesmo antes de se terminar a pergunta.
Aquele converse não dava ousadia à perguntas descabidas:
Quando?
Onde é?
Quem Vai?
Qual estrada?
tem lugar para dormir ?
Bagagem sumária, peruzinho ou coquinho casca de ovo, bandana na cara,
Na chuva, afogava na bandana, no sol cozinhava os miolos.
Molhar e secar na estrada, quem via previsão do tempo não se divertia
Na falta de  roupas tecnológicas, o frio era mais congelante e o calor vulcânico,
Sem gueri-gueris técnico-exibitivos-online, nada de postar, ou ostentar,  só viajar
Foto era de máquina mesmo,  depois estreou a digital.
As cilindradas menores,  e  estradas sem fim.
Todo por do sol parecia arte do David Mann.
Caixinha de ferramenta sempre um mais precavido sacava.
HD com injeção não tinha nem por novidade, era só batidão carburado, mancha de óleo e
peça pra todo lado.
Valia também Viraguinho,  tava "muntado"quem fosse de Shadow-Personalizada,  DragStar, Marauder, Traquitanas Chopers com motores variados, Cebolutions, e outros trécos causadores de dor nas costas e vento na cara.

Agora, a gente pergunta se a tomada lá é 110 ou 220. Puta que pariu!

Making-off
110 ou 220?

Tá, naquela vez caí em descrédito no que tange à bagagem sumária...