terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Juliana

Madrugada, viseira turva de neblina, na estradinha garoa fina
Batidão carburado no fog londrino de Paranapiacaba
Atarrachada na garupa da miliduque vermelha, vai a morena trigueira
Curvas formosas, olhos de amêndoa
Faz que vai mas fica, beijo roubado no acostamento
Lua cheia escondida, despedida na soleira da porta
Pretexto para retorno, largou a jaqueta nos ombros da morena

Um dia depois o senhor de rosto vincado atende a porta, mostra a foto,
e para não passar por mentiroso leva o Alemão ao cemitério.
A jaqueta está à disposição no túmulo da trigueira, que bateu as botas há 17 anos.

Making-off
Diz que o nome dela era Juliana e jaz no cemitério de Paranapiacaba
Filha amada e professora querida
* 1970
+ 1995
Quem não acreditar pode perguntar para o Eullão.
O cara paga uma grana pelo resgate da jaqueta, mas tem que ser em noite de lua cheia.